Barcelona para mochileiros (Dia 3)

Por Bruno Bosi

No terceiro dia eu tinha planos menos elaborados e não precisaria correr pra fazer tudo. Bom, eu estava tranquilo quanto ao tempo, mas não sabia que no domingo Barcelona para. Evite domingos lá. Não tem quase nada aberto: mercado La Boquiera, lojas, bairro gótico… Meus planos incluíam o Bairro Gótico, museu do Picasso, museu do Chocólatra, obras de Gaudí na avenida De Graça e o estádio do Barcelona (Camp Duo). O bairro gótico tive que cancelar porque seria perda de tempo, então fui conhecer as obras do maior arquiteto catalão.

Casabatllo2As casas de Gaudí localizam-se na avenida De Graça – é a avenida com as lojas mais luxuosas de Barcelona. Não ligo muito para lojas, muito menos para as de grifes, mas foi bem estranho andar numa das ruas mais movimentadas de Barcelona com quase tudo fechado. As casas de Gaudí (Casa Batlló e La Pedrera) são muito bonitas por fora; e, apesar de querer entrar, nem me atrevi a pagar 21 euros. Para mim, umas das coisas que está virando moda na Europa e que está desencorajando turistas é cobrar altos preços para entrar em lugares históricos. É uma pena. Deveria ser acessível a todos, ou pelo menos a um preço menos salgado.

La Pedrera Vista general

Vale a pena se enfiar nos becos paralelos e perpendiculares à rua de Graça porque são, às vezes, quarteirões fechados que têm vários
restaurantes. Rodei por um bom tempo, parei em uma cafeteria e resolvi olhar meu caminho para o museu do Chocólatra e do Picasso. Outro ponto negativo do domingo: as coisas fecham mais cedo. O museu do chocolate fecha às 15h, o que me fez suspender a visita também.

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Mas ainda tinha Picasso. Olha, eu trocava 20 museus de chocolate por museus como o de Picasso. Primeiramente porque universitário não paga entrada (que normalmente custaria 11 euros) e segundo porque é um museu muito bem organizado cronologicamente, o que faz dele um dos melhores museus em que já estive. A exposição do museu é distribuída de tal forma que você consegue ver a evolução do traço dele e a mudança de humor e de estilo ao longo dos anos. Para mim, o melhor traço em obras de arte é o grosso e rápido, sem precisão, mas que forma uma figura no fim das contas. Picasso é assim. É impressionante o traço firme mas “aleatório” que ele tinha (me lembrou Van Gogh).

A exposição mostra desde autorretratos a sketches de lápis, pinturas em tons azulados melancólicos, influência do naturalismo de Michelangelo com o toque único cubista. A representação realmente cubista (que é o que faz Picasso ser conhecido – quem não conhece Guerníca?) está presente na última etapa da exposição. É a interpretação de Picasso da tela de Velasquez (Las Meninas), a tão famosa metalinguagem e expressão barroca como “arte livre”. É impressionante a expressão “exagerada” que Picasso dá às personagens da tela e consegue transmitir exatamente o que a tela original retrata com sutileza. Sugiro que leve uma foto de las Meninas para comparar os trabalhos.

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Posso dizer que este foi um dos quadros de que mais gostei. O painel explicava que, por causa da influência catacônica de Michelangelo naquela época, Picasso introduziu um pouco de naturalismo em sua pintura, mas continuou com um toque leve de cubismo. Essa tela mostra exatamente isto: os traços firmes que delineiam o rosto, mas os cubos que preenchem o corpo.

Depois do melhor museu que já fui, voltei ao hostel para descansar um pouco e tomar banho (tente se programar para tomar banho em horários que provavelmente já terão limpado o banheiro de manhã e quando ninguém ainda tomou banho).

Depois segui para o estádio do Barcelona. Muuuito bonito, gigante, mas não entrei. Se não me engano, são 18 euros para entrar e achei que não compensava. Mas vai do gosto de cada um!

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De volta ao Hostel, entro no quarto e – tcharãm! – lá estão os brasileiros. Brasileiros juntos na Europa é pedir para fazer festa. Foi isso que aconteceu. Eram um casal de irmãos. Quando encontramos umas escocesas, a noite estava feita. Sei que fui dormir às 5h da manhã, sabendo que no outro dia tinha que levantar às 9h no máximo, porque a Basílica Sagrada Família me esperava.2014-08-21 12.54.20

PS: este dia andei bastante (porém não tanto quanto no segundo dia). De qualquer forma, a expressão de “nossa” continuou no meu rosto quando olhei esta imagem:

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Sobre brunobosi

Brasileiro, 19. @brunobosi
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