Singapura à primeira vista

Depois de mais um ótimo voo com a Cathay Pacific finalmente cheguei a Singapura, a promissora ilha-cidade-estado do Sudeste Asiático. Na chegada ao país, todos são recebidos com uma hospitalidade bastante característica: ao mesmo tempo em que o formulário da imigração lembra em letras garrafais que o tráfico de drogas é punido em Singapura com a pena de morte, funcionários do setor oferecem balinhas grátis para todos os visitantes no guichê do aeroporto.

O pessoal é bem direto...

...mas sabe fazer um agrado

Acho que essa recepção incomum me deixou distraído, porque passei pela alfândega sem pegar a mochila na esteira. Resultado: tive que preencher um formulário gigante e passar por uma revista caprichada no setor de Segurança para poder voltar às bagagens e finalmente recuperar minha tralha. Mas a confusão não parou por aí. Peguei o ônibus rumo ao albergue e pedi que o motorista me avisasse quando chegasse a um determinado ponto – no caso, a rua mais próxima do hostel. O coletivo andava, andava, andava… e nada do chinês parar o busão. Não aguentei e perguntei se faltava muito para chegar à tal avenida. Ele olhou com a cara mais sem graça do mundo e, lógico, assumiu que acabou esquecendo de mim. Resultado: tive que descer por ali, pegar um outro ônibus no sentido contrário que não parava tão perto do albergue e caminhar uns 20 minutos num baita calor singapurense. Cheguei mais suado que tampa de chaleira, tomei um banho e acabei desmaiando de sono.

Detalhe da arquitetura típica de Katong, região em que fiquei hospedado

Antes de compartilhar com vocês mais alguns momentos em Singapura, preciso falar um pouquinho sobre o contexto deste país, que mesmo tão pequeno me despertou uma certa inveja. Sim, inveja! Vi muita coisa por aqui que o Brasil precisa importar… e não estou falando de produto industrializado.

Singapura é um dos Tigres Asiáticos e ocupa posições de destaque em diversos setores da economia mundial – portos, indústria, turismo, cassinos… mas o que chama atenção nesse país é mesmo a extrema organização. Conhecida aqui como “Fine City”, esse apelido de duplo sentido mostra que a cidade é muito boa, mas também famosa por salgadas multas para quem desrespeita suas regras. Mascar chiclete aqui é proibido – a multa é equivalente a quase R$ 700! Tudo isso porque a limpeza das ruas aqui é algo levado a sério pelo governo. E essa mesma rigidez vale para o tráfico de drogas, os furtos, o sistema de transportes, o cigarro…

Placa no metrô: o transporte da durian, uma fruta parecida com a jaca, foi proibido nos trens por conta do cheiro terrível desta iguaria local

Singapura ou Cingapura?

Ah, explicando por que estou escrevendo Singapura  com S (e não Cingapura, como a Folha de S.Paulo ainda utiliza): Como o acordo ortográfico da língua portuguesa unificou nosso vocabulário, considera-se correto adotar as formas que os outros países (Portugal, Angola, Cabo Verde, etc.) utilizam, pois é derivada do nome original do pais (“Singapore”, como eles chamam por aqui). Mas vale lembrar que a Associação Brasileira de Letras aceita as duas formas – então, não há nada com que se preocupar.

A Marina Bay

O desenvolvimento é percebido de longe em Singapura. No horizonte da Marina Bay, os arranha-céus revelam o ritmo intenso da cidade. No entorno desta baía estão vários pontos turísticos: a Singapore Flyer, uma das maiores rodas-gigantes do mundo de onde se enxerga todo o país, o Marina Bay Sands, hotel de luxo com uma famosa piscina de borda infinita no terraço em forma de navio suspenso, o Merlion, estátua que representa uma criatura mítica, um museu fantástico, shopping centers, lojas de grifes, aparatos para a prática de esportes… buscando uma comparação com o que me lembrava de já ter visto parecido no Brasil, a Lagoa Rodrigo de Freitas, é inevitável ficar triste com a escassez de investimento no nosso potencial turístico.

A loja da Louis Vuitton foi instalada sobre as águas da baía

Os moradores caminham e correm nesta passarela, no entorno da baía. Ao fundo, o Museu de Arte e o Marina Bay Sands

Esses dois prédios brilhantes foram inspirados nas durians. Uma arquitetura de fruta beeem melhor que o abacaxi de Macau

Centenas de turistas fotografam, consomem e gastam no entorno da baía

Olha esse pôr-do-sol!

O Merlion: uma sereia com cabeça de leão atrai diariamente milhares de turistas, que vão lá só para tirar uma foto

A Marina Bay iluminada com a Singapore Flyer ao fundo: um lugar para encher os olhos

Só pela Marina Bay, já dá pra saber por que me apaixonei por esse país. Mas ainda tem muito mais: a convivência pacífica entre as diversas etnias que existem por aqui tornou o povo de Singapura o mais hospitaleiro que encontrei até agora. No próximo post, as histórias que me deixaram com gostinho de quero mais e quase me impediram de vir para Bangkok. Não esqueça de deixar um comentário!

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21 respostas para Singapura à primeira vista

  1. vinicius disse:

    Liberalismo economico .. *-* isso deveria ser importado aqui no Brasil.

  2. Andréa Siqueira disse:

    Fellipe!! Sou mais uma admiradora do que você escreve (já falei isso aqui, né?) Sinto falta quando demoro a receber “O mochilão” no meu email.
    Tudo muito legal!!!
    Aquelas casinhas em Singapuras são muito parecidas com umas no centro de Newcastle (Australia), onde minha irmã mora.
    beijão

  3. Guilherme Arêas disse:

    Nem de longe eu sou um traficante, mas, na boa, eu ia trancar muito ao ler um aviso assim logo na chegada ao país… uai, vai que algúem coloca alguma coisa na mala seu eu saber… hehehe

  4. Daniel Santiago disse:

    A cidade mais bonita que vc foi na Asia! Adorei!

    abraçao!

  5. Eliza disse:

    Nossa!!!
    Adoreii!
    Essa idéia de multas para manter limpeza realmente funciona!
    Odeio cidade suja! =/
    Mas a melhor de todas eh proibir durian! O frutinha FEDORENTA…Horrível!
    Chines ama isso! Ecaa!
    Bom…vc deve ta sentindo a diferença ne? Da “limpissima” Kao San Road! haha

    =D

    • Fellipe Faria disse:

      Pois é, Eliza… a cidade é muito limpa, dá inveja pra caramba! E a Khao San Road, bem… é essa zorra, né? Mas também é muito divertido, porque chega a ser nonsense. Beijão

  6. Náira disse:

    Muito legal, Fellipe! Os textos estão interessantes e envolventes. Como sempre, muito bom o seu ponto de vista! Estou adorando! Boa viagem e boas aventuras! Coloque sempre muitas fotos!
    Beijo!

    • Fellipe Faria disse:

      Náira, elogio seu é coisa boa! Mas às vezes sinto que preciso de um editor. De vez em quando releio os textos e vejo repetição de palavras, erros de digitação… dá uma raiva! Tô tentando botar mais fotos, mas o processo de inserção de imagens é o que toma mais tempo na atualização dos posts. Aí eu perco a paciência e boto o que tem, haha! Beijão e comente sempre!

  7. Fernanda disse:

    oie…estou chegando na tailandia dia 22/11. Sera que a gente se encontra por algum canto do mundo? so que de la vou para japao e china, ai volto para o sudeste asiatico…amei esse texto de singapura. Fernanda (Viajante). beijos

    • Fellipe Faria disse:

      Fernanda, respondi lá no seu blog… seus textos estão muito inspiradores, até me reanimei aqui, hehe. Não deixe de ir a Singapura, você vai curtir! Beijão

  8. Verônica disse:

    Bôl, você escolheu países tão diferentes daqueles que eu já imaginei visitar na vida! Estou adorando as narrativas! Tem que postar com mais frequência! Beijão!

    • Fellipe Faria disse:

      Vê, os países são muito diferentes até do que eu imaginei visitar, até eu tô impressionado, haha! No táxi para o hotel em Bangkok, eu ia vendo as placas com o alfabeto thai e me sentia levado para um outro planeta, uma doideira. Mais novidades em breve! Beijão!

  9. Rafael Papel disse:

    é fato que seu blog entrou pra minha lista de visitas diárias!
    e curioso para ouvir as historias que quase te impediram de seguir viagem! ahahahahaha

    abração!

  10. Carol Cirino disse:

    Singapura ou Cingapura é mesmo muito interessante! Não tinha ideia da grandiosidade do país. Mas eu curti mesmo é a rigidez nas proibições, isso é um exemplo a se seguir, já que adotam o ideal em prol da coletividade. Bjos.

    • Fellipe Faria disse:

      Pois é, Carol… fiquei com muita inveja dessa organização toda – e não é um negócio militaresco, como vou mostrar no próximo post. É questão de educação mesmo. Acho que a coletividade perde muito com a malandragem brasileira. Beijo!

  11. Kécia disse:

    Oi Fellipe!!
    A gente fica mesmo curiosa com as suas narrativas… gostinho de quero mais!!
    Parabéns!! Adoro acompanhar suas aventuras e, em especial, fiquei admirada de tanta organização e disciplina desse país.
    Boa sorte!! Beijo.

    • Fellipe Faria disse:

      Kécia, estou tentando me organizar novamente, porque cada mudança de país é uma bagunça diferente… mas fico um tempinho maior na Tailândia, então mais posts estão chegando logo logo. Beijo!

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