“I left my heart in San Francisco”…

…e com a canção de Tony Bennett, O Mochilão finalmente se despede dos Estados Unidos. É hora de deixar pela primeira vez o continente americano rumo ao desconhecido, nas exóticas terras asiáticas. Este último post sobre San Francisco resgata a essência e os momentos memoráveis vividos por lá!

Malhando as panturrilhas

Se você for visitar San Francisco, leve um bom par de tênis. É possível conhecer tudo a pé, mas os morros gigantescos da cidade não são moleza. O mais engraçado é ver que as anciãs chinesas sobem o morrão carregando uma sacola de compras com cara de paisagem, enquanto você está suando e bufando pra chegar à metade dele.

Subir esse morro exigiu esforço semelhante a escalar o Pico da Bandeira... mas a vista compensou

Procura-se um japonês

Quando contei a história dos chocolates que ganhei de um amigo japonês não imaginei que a corteria da Terra do Sol Nascente voltaria a me surpreender alguns dias depois. Logo que eu cheguei ao hostel, conheci o Takumi, que iria embora no dia seguinte. Conversamos cerca de meia hora sobre diversos assuntos, inclusive sobre comida japonesa e a dificuldade de entender as inúmeras opções dos cardápios dos restaurantes nipônicos por aqui. Quando acordei, vi que ele já tinha ido embora. Desta vez o japa não deixou chocolates, mas me deixou surpreso com o bilhete abaixo:

Tentei encontrá-lo no Facebook, mas não consegui. Experimente buscar Takumi Takahashi e você vai entender o porquê.

Curtindo a praia do Pacífico

Tirei um dia em San Francisco para ir à praia dos americanos. Fez bastante sol naquele dia e deu pra descansar, mas Ocean Beach não deve ser a melhor amostra das famosas praias da Califórnia. A areia é escura, o lugar é praticamente vazio e a água é geladíssima  – segundo uma texana com quem fiquei conversando por algum tempo, é por conta da influência das geleiras do Alaska, mas não pesquisei pra saber se a teoria tem fundamento. Vale a pena pela curiosidade e porque é de graça, mas não esqueça de levar uma garrafa d’água (eu esqueci, lógico). Afinal, você não vai encontrar quiosques nem vendedores com uma caixa de isopor e espetinhos de camarão.

Sérgio Mallandro em "Lua de Cristal" ("Mariaaa, Mariaaa")? Não, era um oficial da Polícia montada mesmo

A bicicleta e o cadeado

Paguei mais um mico no dia em que atravessamos a Golden Gate Bridge pedalando. Assim que chegamos ao pequeno vilarejo de Sausalito, precisávamos parar as bicicletas no estacionamento para comer alguma coisa. A vergonha começou quando percebi que Matt e Sebastian haviam prendido as bikes nas grades com aquele intrigante dispositivo em forma de U. O problema é que eu tenho pouca experiência com bicicletas (atropelei um fusquinha quando tinha uns 11 anos e minha mãe não queria mais me deixar subir em uma) e, portanto, aquele cadeado pra mim era tão complexo quanto um motor de avião. Depois de uns cinco minutos tentando decifrar aquele quebra-cabeça tive que pedir ajuda aos dois, lógico, e fiquei imaginando o que faria se estivesse sozinho…

Esse troço em forma de U é mais complicado que um Tangram

Homeless people e a catinga franciscana

Mesmo com tantas atrações turísticas e boas iniciativas em prol da sustentabilidade do município (como os ônibus híbridos do transporte público e as lixeiras de reciclagem), percebi que San Francisco enfrenta um problema muito conhecido no Brasil. Certas regiões da cidade, especialmente no entorno da Market Street, são cheia de mendigos e moradores de rua. Batendo papo com um comerciante da localidade, ele também contou que as ruas também estão ficando infestadas de usuários de crack. Esse pessoal todo costuma fumar um troço muito fedorento nas calçadas – parece uma mistura de fumo de rolo com bafo matinal. Às vezes o futum vem com tanta força que chega a dar náuseas.

"Why lie? I need a beer": No Pier 33, um raríssimo pedinte sincero

San Francisco não gosta de apelidos

É inevitável querer chamar de “SanFran”, “Frisco”, “Velho Chico”… mas não faça isso. Descobri que os moradores detestam que “The City” – a única denominação alternativa tolerada por eles – receba apelidos carinhosos. Essa dica foi parar até no mural do hostel:

Amigos do mundo todo

O hostel não era tão bom quanto o de Nova York, mas também tinha gente de todo o mundo por lá. Nesta segunda etapa confirmei que viajar sozinho ajuda bastante a perder a timidez – afinal, é imprescindível puxar papo em busca de uma companhia para os melhores programas. Conheci novos amigos da Suécia, Malásia, Alemanha, Japão, Espanha (e do Brasil também, como sempre)… Saber mais sobre pessoas de culturas tão diferentes amplia os limites e rompe tabus, mostrando que estereótipos muitas vezes são apenas… estereótipos.

Luppy Chan acabou de se formar em arquitetura na Malásia e estava viajando por vários estados dos EUA. Ele gostou muito de Chicago e Nova York, mas disse que em Ohio não tem nada pra fazer. Aqui a gente estava na Lombard Street, a famosa rua em zigue-zague

Viajando pelo mundo há pouco tempo, foi possível perceber algo interessante: uma jornada como esta, que no Brasil é considerada por muitos uma loucura, em outros países seria valorizada e até incentivada. Tenho certeza que isso vai mudar com o tempo, porque as experiências compartilhadas com outros cidadãos do mundo são fontes inesgotáveis de aprendizado – e muita diversão, é claro!

Svante Matt é um enfermeiro sueco que trabalha na Noruega. Antes de chegar a San Francisco, ele tinha acabado de correr os 42km da Maratona de Berlim. Ele estava só dando uma passadinha na Califórnia, porque em duas semanas vai começar um curso de espanhol no Panamá

A categoria Estados Unidos acabou de ser encerrada, porque O Mochilão já desembarcou em Hong Kong. Post direto da Ásia em breve… Ah, você também encontra as últimas novidades no Twitter!

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12 respostas para “I left my heart in San Francisco”…

  1. Kaique Santos disse:

    Bom relato Felipe. Uma dúvida: notei que a resolução da câmera fotográfica é ótima. Sabe me dizer qual o modelo?

    • Fellipe Faria disse:

      Kaique, minha câmera é simples, é uma Sony DSC-HX5V. Foi comprada no Paraguai por R$ 400 e dizem que é uma das melhores compactas antes das semiprofissionais. Precisava de uma câmera pequena e barata pra não ficar com medo de molhar, quebrar, ser roubado, etc.

  2. Carolina Penha disse:

    Fellipe, tudo bem???

    Estou ~in love~ com seu blog desde semana passada. Estou planejando ir para SF e NYC no fim do ano e estou usando o como base pra alguns pontos turísticos e dúvidas. Tem uma coisa que eu não encontrei aqui: vc chega a mencionar em algum post o hostel em que vc ficou hospedado em nessas cidades? Pq isso me ajudaria super! Se você quiser me mandar por email, pra não ficar aqui, pode ser tb.

    Obrigada!

    Ah, suas legendas das são as melhores e vc é uma gracinha!

    Um beijo e que venham muitas outras viagens!

  3. Guilherme Arêas disse:

    Só eu ou mais alguém também buscou Takumi Takahashi no Facebook e morreu de rir com o resultado??? rsrsrs

  4. Laura Nardelli disse:

    “Why lie. I need a beer”. hahaha. Morri de rir.
    Esse seu último post me lembrou momentos incríveis em San Francisco.
    Bjos

  5. ivna disse:

    oi Felipe, adorei seu blog e vou mostra-lo a mamae ela vai achar super tenho certeza. Aproveite sua vida meu caro pois dela levamos alegrias e experiencias, seja feliz e continue com sua volta ao mundo. bjcas lindo

    • Fellipe Faria disse:

      Tia Biná!!!
      Que coisa boa ver um comentário seu por aqui! =D
      Pode mostrar pra todo mundo e pedir pra deixar comentário… hahaha! Brigadão pelo apoio de sempre! Beijão com saudade

  6. Kécia disse:

    Muuito legal, como sempre!!
    Que gentileza dos orientais, nos dando bons exemplos de estar abertos a conhecer outras pessoas com muita receptividade e simpatia.
    Além disso… vamos combinar… esse enfermeiro sueco é quase um Deus grego! hahaha… Convide-o pra vir ao Brasil, temos boas maratonas tbm! =)
    Adorei! Já estou curiosa para ler sobre as suas aventuras em Hong Kong!
    Boa sorte!! Bjo.

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