San Francisco: o primeiro olhar sobre o Pacífico

O Mochilão chegou a San Francisco! Mas antes de contar as histórias desta nova etapa, preciso agradecer a todos que estão passando por aqui e deixando comentários. As estatísticas do WordPress me mostram a quantidade e a origem dos visitantes (que é surpreendente para um blog que ainda está no comecinho), mas o melhor feedback que posso receber são as palavras de cada um que perde alguns minutinhos deixando elogios, sugestões e palavras de apoio! =)

Antes de desembarcar na Costa Oeste dos EUA, passei pelo que poderia ser chamado de uma amostra do caos aéreo se estivéssemos no Brasil. No aeroporto JFK de Nova York, um dos mais importantes do mundo, os passageiros que já tinham feito o check-in e despachado suas bagagens se deslocaram para o setor de Raio-X, onde todos os aparelhos apresentaram algum problema e nós simplesmente tivemos que esperar, sem qualquer informação sobre o que estava acontecendo. Mais de uma hora depois, com diversos voos atrasados por conta da falta de gente para embarcar, a gigantesca fila que se formou – com centenas de passageiros que se aglomeravam sentados no chão da área de inspeção – finalmente voltou a andar. Não era permitido tirar fotos naquele local, mas fica o registro para mostrar que nem só de Brasil vivem os defeitos aeroportuários.

O voo doméstico da American Airlines foi ainda pior que aquele que me trouxe do Brasil. Quem quisesse comer (lembrando que o trajeto tinha seis horas de duração) precisava desembolsar algumas doletas por um cookie ou um pacote de batatas fritas. E o pior é que não tinha comida suficiente pra todo mundo! Eu estava numa fileira no meio do avião e dei sorte, porque ainda havia uns três cookies e um saquinho de castanhas.

Mas chegando a San Francisco, as primeiras impressões foram as melhores possíveis. O aeroporto é muito bonito e o sistema de transportes, apesar de excêntrico, é bastante eficiente. Como cheguei morto de cansaço, tirei uma bela noite de sono e no dia seguinte fui logo ver a Golden Gate Bridge.

O saguão do belo aeroporto de San Francisco

A Golden Gate, considerada uma obra-prima de engenharia, é realmente impressionante. Ela está coberta de neblina na maior parte do tempo, mas dei sorte e já na primeira visita o céu estava limpíssimo. Ao contrário da Estátua da Liberdade, que é verde por acaso (devido ao processo de oxidação), a ponte é vermelha porque os responsáveis pelo projeto escolheram a cor de acordo com os componentes naturais do entorno.

Há uma praia que dá acesso à parte inferior da ponte, onde a criançada e a cachorrada fazem a festa. Neste local é muito comum ver algumas pessoas passeando com oito, nove, dez cães ao mesmo tempo – pela variedade de raças, provavelmente são funcionários contratados para isso. E mais alguns quilômetros à frente, o inevitável aglomerado de turistas em busca do melhor ângulo para sua foto.

Implorando por um fotógrafo

Outro dia, na ilha da Estátua da Liberdade, pedi a um turista qualquer que tirasse uma foto minha. Fui lá, me posicionei em frente à Lady Liberty e, dois cliques depois, agradeci e fui ver a obra-prima. Não é que o cara registrou meu corpo inteirinho e a estátua nem apareceu na foto?

Mas não tem jeito. Se você gosta de guardar lembranças fotográficas de suas aventuras e vai viajar sozinho, leve um tripé, tire fotos no estilo “bração” ou conte com a ajuda dos fotógrafos de ocasião. E eu já disse aqui que poucas coisas são mais deprê que ficar implorando para gente desconhecida tirar uma foto sua. Especialmente porque a Lei de Murphy se faz cumprir com força nesses momentos. Sua cabeça vai ser inevitavelmente cortada, você vai piscar e o enquadramento vai ficar inacreditavelmente tosco.

Pois lá estava eu em frente à ponte, já de saco cheio de pedir favor, tirando algumas fotos “bração” (aquelas em que você estica o braço, deixa sua cara gigantesca em primeiro plano e o assunto no fundo), quando me passa um maluco com a irmã se oferecendo para ajudar. Depois da foto – que também não ficou nenhuma maravilha -, ficamos ali conversando. Ele se chama Ruben, mora na Bélgica e estava em San Francisco a passeio. O cara era tão gente boa (e doido) que ofereceu a casa dos pais dele caso eu quisesse passar alguns dias por lá. E como eu não sei como vai estar minha situação financeira quando eu estiver na Europa (onde a hospedagem tá pela hora da morte), já adicionei no Facebook por garantia!

A foto que meu novo amigo belga tirou

No mesmo dia, uma outra situação engraçada: Eu tinha acabado de chegar a Chinatown e avistei um grupo de turistas velhinhos passando por mim. Perguntei em inglês a um dos senhores se ele poderia tirar uma foto minha e levei um inesperado não, dito apenas com gestos braçais. Acho que fiquei completamente sem reação – mesmo com má vontade, ninguém nunca havia se negado a tirar uma foto! Mas alguns segundos depois uma senhorinha do grupo interveio, falando em francês algo que entendi como “querido, ele te pediu que você tirasse uma foto dele!”. O velhinho fez uma cara super sem-graça e pediu a câmera, meio que se desculpando por não ter entendido minha pergunta.

Esta é a foto que o francês tirou: sente a carinha constrangida

Welcome to China

Por falar em Chinatown, a visita a este bairro de San Francisco é imperdível. Não é à toa que, passando perto de escolas e locais menos turísticos, muitos olhinhos puxados entregam a quantidade de imigrantes orientais na cidade: bem maior que o distrito chinês de Nova York, a Chinatown daqui é a segunda maior do mundo (atrás apenas da de Vancouver, no Canadá). Nas ruas dos chineses, você encontra bugigangas de toda sorte: roupas típicas, falsificações vagabundas, os já conhecidos restaurantes com apetitosas aves carameladas expostas e até fábricas de biscoitos da sorte. Uma curiosidade que o povo daqui adora contar: o “tradicional biscoito chinês” foi inventado no começo do século XX em San Francisco por um japonês. Nada milenar o quitute da fortuna, né?

Sim, nós ainda estamos na Califórnia...

Além de bolsas de ótima qualidade, em Chinatown também são vendidos exemplares típicos da literatura oriental

A forte presença de idosos nas ruas de Chinatown é algo intrigante e reforça a tese de que os orientais envelhecem bem melhor que a gente. Enquanto eu andava e tirava fotos por ali, fui parado por algumas velhinhas. Logo pensei: “lá vem essas chinesas querendo me empurrar uma massagem aromática ou um quitute recheado com o mais puro bico de pato”… Na verdade, elas tentavam me explicar em chinês algo sobre o Falun Dafa, uma prática tradicional de busca do equilíbrio do corpo e da mente – algo parecido com o Feng Shui. Se eu conseguir acordar algum dia antes das 7h até o fim da semana, juro que dou uma passadinha na praça onde eles praticam esse negócio e depois conto pra vocês como foi. Mas não tenham muita esperança, OK? Essas quatro horas de diferença do fuso horário estão me deixando muito sonolento…

As simpáticas senhorinhas do Falun Dafa... quem sabe no domingo?

Mais histórias de San Francisco no próximo post!

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12 respostas para San Francisco: o primeiro olhar sobre o Pacífico

  1. Ilmara disse:

    Oi Felipe, estou adorando esta sua aventura, apesar de achar uma loucura. rsrsrs brincadeira. Você é muito espirituoso, alegre e corajoso, é claro. Daqui, vamos acompanhando suas aventuras, curtindo junto com você e pedindo a ajuda da nossa padroeira, amanhã é o dia dela, que acompanhe você sempre. beijos e boa viagem!!!!! Ilmara e l. Fernando

    • Fellipe Faria disse:

      Tia Ilmara e tio Fernando, a benção!!! Espero que estejam curtindo mesmo, meu objetivo é dividir com todos vocês pelo menos um pouquinho desta grande experiência, que tem me ensinado muito. Obrigado pelo apoio! Beijão

  2. There’s one picture of you and the Golden Gate I really like a lot, guess which one… 😉

    Belgian greetings!

    Ruben

  3. Renata N Oliveira disse:

    Adorei as histórias dos fotógrafos,em especial da carinha constrangida !! As histórias, os textos, a experiência está D+ !! Continuo acompanhando sempre que dá !!

  4. Andréa disse:

    Nice!!! Estou adorando!!! Vou falar isso 1000 vezes. Você é muito espirituoso e escreve
    bem pra caramba!!!!!
    No caso da foto recusada, lembrei da minha irmã que morou na Alemanha. Ela ia sempre passear
    na França e falou que detestou os franceses. Disse que eles são grossos e mal-humorados….
    Beijão!

    • Fellipe Faria disse:

      Já tinha ouvido falar dessa fama dos franceses também, Andréia… só não esperava que ela fosse se materializar no meio de Chinatown, hahaha! Brigadão pelos elogios e volte sempre!

  5. Laura Nardelli disse:

    Oi querido, São Francisco é realmente uma cidade linda. Mas mto cara, ne? Achei q restaurantes e outros serviços são até mais caros q NY.
    Mas o clima da cidade é delicioso…
    To doida pra vc chegar logo na Ásia, rsrs. Deve ser beeeem diferente.
    Bjus

    • Fellipe Faria disse:

      É tudo caríssimo mesmo, Lauritcha! Mas valeu a pena, aqui tem bastante coisa diferente e um clima de cidade pequena… e quanto à Ásia, tô muito ansioso, porque não sei direito o que vou encontrar por lá! Sair do Ocidente é sempre uma aventura. Beijão e continue deixando comentários e dicas, adoro ler tudo!

  6. Jessica Nobre disse:

    Fellipe! To me jogando nos seus posts! To lendo desde o primeiro. A sensasão é de estar viajando junto! Vc escreve super bem heim!!! Jornalista é jornalista né! To achando que esse blog vai deslanchar! rs Mandou bem na iniciativa de criar o mochilão! Boa sorte por aí! Divirta-se muito e conte tudo pra nós! Nem tudo né… rs Beijo!

  7. Erick Esteves disse:

    Rolei de rir com a história da fotografo que cortou a estátua da foto, rs! quando olhei a foto do aeroporto achei que fosse algum museu ou coisa do tipo! rs! Parece até o belo Galeão, =P

    Vai no Parque Golden Gate, alguma coisa assim, o museu é lindo, tinha falado dele pro Daniel, pq vi no NATGEO, tem um aquário e a construção foi feita pra imitar o entorno, a vegetação que cobre o teto é nativa da região, e o prédio foi construído quando teve uma catástrofe que destruiu o antigo. Mas eu só conheço da TV mesmo, mas o Daniel falou que é legal!

    • Fellipe Faria disse:

      Erick, o Galeão vai precisar de uma bela reforminha antes da Copa se quiser surpreender os turistas, hehehe… eu fui ao Golden Gate Park, mas ele é gigantesco (pra você ter ideia, ele é 20% maior que o Central Park). Acabou que não vi esse museu, vai ter que ficar pra próxima… abração e volte sempre por aqui!

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