Goodbye, New York: melhores momentos

Os poucos dias que passei em Manhattan foram suficientes para viver experiências inesquecíveis. Neste último post sobre Nova York, O Mochilão compartilha com os leitores alguns dos costumes e momentos mais marcantes na Big Apple. Se você tem alguma sugestão sobre esta ou outras cidades que fazem parte do itinerário, deixe um comentário!

Muxoxos no metrô

É impossível ir a Nova York sem ouvir a graciosa expressão “Excuse me”. O problema é que ela não é usada somente para pedir licença, mas também para aniquilar turistas desavisados acompanhada de um olhar exterminador. O metrô é o local ideal para receber esse presente, especialmente nas cadeiras próximas ao mapinha afixado na parede do vagão.

Este é o mapa da discórdia. Muito cuidado antes de usá-lo

No dia em que cheguei a Manhattan, entrei no metrô com aquela mochila enorme e fui passando para ver o tal mapa. Quando me inclinei, acabei encostando o mochilão em uma mulher enorme, que fez um bico gigantesco e me lançou em alto em bom tom meu primeiro “excuse me”. Fiquei roxo de vergonha e pedi desculpas, colocando a mão em seu bracinho – que devia ter a circunferência da minha coxa. Outro erro: americanos odeiam ser tocados.

No dia em que o Daniel foi embora, perguntei qual era a estação em que ele desceria e ele cometeu o pecado de apontar o mapa com o dedo. Como ele acabou encostando um fiapo da manga de sua blusa no cabelo de um executivo, o senhor imediatamente revidou aquela ousadia com um golpe de jornal no braço do Daniel, provocando risadas e lembranças eternas do carinho com que os nova-iorquinos recebem seus turistas.

Fogo no Hostel!

Era um fim de tarde chuvoso em Manhattan e eu estava separando algumas fotos para postar aqui no blog quando um alarme sonoro disparou em todo o hostel. Em poucos segundos, uma funcionária bateu no quarto, pedindo que todos evacuassem o prédio porque aquele era um alarme de incêndio. Acho que fiquei mais empolgado por estar testemunhando aquele acontecimento do que com medo do fogo, pois a primeira coisa que fiz foi pegar a câmera e registrar tudo! Em poucos minutos, todos os hóspedes estavam na rua e três carros do Corpo de Bombeiros já estavam no local, a postos e averiguando a ocorrência. Por sorte, era alarme falso (provavelmente, algum gaiato que acendeu um cigarrinho escondido e disparou o sensor de fumaça).

A galera ainda saía do hostel quando os carros dos bombeiros chegaram

Um trem para o Bronx

Certa noite, voltando da balada, peguei o metrô em direção ao hostel. O problema é que eu estava muito “cansado” e acabei cochilando no vagão. Resultado: quando acordei, eu já estava na última estação antes do Bronx, que não é uma região famosa pela segurança, tranquilidade e harmonia em suas ruas. Como o próximo trem no sentido do hostel só voltaria em 25 minutos, saí da estação e procurei por um táxi, mas o único que passou por ali não estava indo para o Upper West Side (lá é assim, se o taxista não vai na direção do seu destino ele simplesmente recusa a corrida). Não teve jeito: tive que voltar ao metrô e esperar bem acordado pelo trem para chegar são e salvo a minha cama.

Estação de metrô vazia na madruga de Nova York dá medo, viu?

Eletrônicos de Bangladesh

Comprar eletrônicos em Nova York pode ser um ótimo negócio ou uma bela roubada. Há centenas de lojinhas em que os produtos são baratinhos, mas a razão do preço baixo é que essas mercadorias se enquadram na categoria refurbished. Ou seja, são produtos defeituosos que foram reparados e postos para revenda. Em busca de um computador pequeno que permitisse a atualização constante deste blog  e vendo que nenhuma das grandes redes tinha netbooks em estoque, passei por diversas dessas lojinhas. Elas normalmente são administradas por imigrantes cheios de malandragem, que atendem muito mal todos seus clientes. Só levei fé quando entrei na loja de Pranab Roy, um imigrante de Bangladesh que chegou a Nova York há 16 anos.

Este é Pranab Roy, de Bangladesh

Roy se formou em engenharia eletrônica em seu país (só descobri que Bangladesh não ficava na Índia depois que formulei essa questão, tão idiota quanto perguntar se o Brasil fica na Argentina), mas ganhou um green card na loteria anual realizada pelo governo dos EUA e preferiu trabalhar entregando comida em Manhattan. Ele explicou que a qualidade de vida e o salário oferecidos pelo sub-emprego americano compensavam a mudança. Mais tarde, ele percebeu que aquele serviço não estava ajudando a melhorar seu inglês. Decidiu mudar de ramo e começou a trabalhar na loja de eletrônicos que hoje é dele, depois de anos de economia e trabalho honesto. Talvez tanta luta explique a diferença no atendimento. Conhecer Roy, um exemplo da realização do sonho americano, me rendeu uma boa compra e uma ótima história.

Se você quer comprar eletrônicos em Nova York e conhecer o Roy, a loja fica na West 32nd St., no número 148.

Presentes japoneses

Kentaro é um bioquímico japonês que trabalha em uma indústria farmacêutica de Kyoto. Nós nos conhecemos na visita à igreja do Harlem e acabamos saindo para lanchar com um outro brasileiro depois da missa. Como a pronúncia oriental é muito diferente das palavras em inglês, ele tinha uma pequena dificuldade para se expressar (mas nada que impossibilitasse nossa comunicação). Enquanto nós três conversávamos, ele chegava a pedir desculpas pelo seu inglês – que não era nada ruim, principalmente se comparado com o de alguns latinos que vivem em NY. No dia seguinte, antes de voltar para o Japão, ele passou no meu quarto e me deu de presente um leque artesanal e uma caixa de chocolates do seu país! A cortesia típica dos japoneses me pegou de surpresa. E acabei me lamentando por ter esquecido de trazer algumas lembrancinhas do Brasil para presentear os novos amigos.

Kentaro e as lembranças da Terra do Sol Nascente

Já tinha visto chocolate japonês? Esses aqui foram devorados no MET

Laundry Service

Minha mãe vai morrer de rir quando ler essa história, porque vou confessar (que vergonha, meu Deus): antes de sair do Brasil, eu nunca tinha operado uma máquina de lavar. E muito menos uma secadora! E quando você está viajando pelo mundo, com uma pequena muda de roupas, este momento é inevitável.  Agora imaginem a confusão: Existe uma taxa (depositada em moedas nas maquininhas) para comprar a caixinha de sabão em pó, outra para ligar a lavadora e mais uma pelo uso da secadora. Qual marca de sabão eu compro? O sabão vai antes ou depois das roupas? Qual é a quantidade? Por que esse troço parou de balançar a roupa? Minhas camisas não vão encolher? Por sorte, umas velhinhas de Ohio também estavam na lavanderia e me salvaram… mas agora já posso dizer que sei lavar minhas roupas!

Colocar a roupa lá dentro eu sabia...

Amigos em Manhattan

Os dias em Nova York não teriam sido os mesmos se não fossem compartilhados com algumas pessoas: Daniel, Felipe, Keira, Taylor, Rita, Roy, Kentaro… e muitos outros cujos nomes me fogem à cabeça. As pessoas para quem tenho que dizer “adeus” (ou “até logo”?) são a parte mais especial desta jornada.

Como é difícil ter que ir embora... mas esta é só a primeira etapa!

O Mochilão conclui sua primeira etapa em Nova York com um clipe que resume a essência desta cidade fantástica. O clipe de “Empire State of Mind” reúne imagens de diversos locais que vocês (re)conheceram por aqui. Se você já esteve na cidade que nunca dorme, vai sentir saudade:


Vocês conferem tudo sobre a chegada à Costa Oeste dos EUA no próximo post. O Mochilão já está em San Francisco!

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26 respostas para Goodbye, New York: melhores momentos

  1. jpachiles disse:

    Olá Felipe, cara gostei muito do blog, muito fera, estou querendo ir pra Nova York, e to fazendo um milhão de pesquisas hahaha cara, em qual hostel você ficou ? é seguro la? tem lugar pras malas e talz? me conte mais ahhaha Valeeeu

    • Fellipe Faria disse:

      Oi João!
      Fiquei no HI New York: http://hinewyork.org/
      É seguro, muito bacana, tem locker bem grandinho pra mochila e espaço para guardar malas na recepção. É pertinho do Central Park e oferece várias atividades. Só não é muito barato, hehe. Abração e boa viagem!

  2. João Pedro disse:

    Olá Felipe, cara adorei o blog muito fera, queria tirar umas duvidas e fazer umas perguntas haha
    Uma delas é, qual hostel você ficou ? e como é la ? tipo tem lugar pras malas ? é seguro ? to querendo ir e to fazendo um milhão de pesquisas hahaha

  3. Simone Freitas disse:

    Olá Fellipe, parabéns pelo blog e iniciativa de viajar pelo mundo. Estou fazendo uma procura por hospedagem boa e barata em NY, gostaria de saber qual hostel tu ficastes lá? Obrigada Simone

  4. Pingback: “I left my heart in San Francisco”… | O Mochilão

  5. Deise disse:

    Ahahahah eu nunca sento na cadeira que tem o mapinha no metrô.
    Muito boas historias, cada dia é um dia diferente né? que bom que vc curtiu e aproveitou bem seus dias aqui! boa sorte na sua viagem!!

    • Fellipe Faria disse:

      Brigadão, Deise… suas dicas foram muito úteis para evitar ainda mais micos como esses! hahahaha! E espero de verdade que você continue por aí por muitos meses até concretizar seus planos. Quando for tocar no Brasil me dá um toque! Beijão

  6. Neli Cerqueira disse:

    Estou adorando sua aventuras meu filho. Bjs

  7. Fantástico, mto bom! Isso td soa familiar, os amigos de albergue, lavar a roupa toda as semanas, o gostinho dos primeiros dias…! Ah, e tá td mto bem escrito, parabéns! Boa sorte por aí e vamos ver se nos encontramos mesmo pela Ásia! Abraços

    • Fellipe Faria disse:

      Valeu, pessoal! Também tô acompanhando de pertinho a jornada de vocês pela China… na segunda já tô em Hong Kong! Vamos manter contato, OK? Abraços e sucesso!

  8. Viviane disse:

    Amigo, sobre a passagem “E acabei me lamentando por ter esquecido de trazer algumas lembrancinhas do Brasil para presentear os novos amigos”… é, vc esqueceu os souvernirs (tipicamente brasileiros) a serem ofertados aos novos amigos aqui em casa! rs Quer que mande via correios? : P

    • Fellipe Faria disse:

      Vivi, quando percebi que esqueci as fitinhas na sua casa não imaginei que fariam tanta falta… e você acredita que hoje conheci um espanhol no café da manhã que estava com uma no braço? Ganhou de um amigo brasileiro, veja só! Quando eu estiver em um lugar mais fixo te passo o endereço pra você me encaminhar, hehehe! Bjão!

  9. Gabriel disse:

    Então quer dizer q já rolou coió internacional??

    Os chocolates foram devorados?? Humm.. Feito uma caixa de bis, ou entao feito um aco de sonho de valsa??? hahahahaha

    Hey, nao comento muito, mas leio TUDO, e xoxo tudo, ok?

    Miss ya…..

    • Fellipe Faria disse:

      Gabriel, aguardo ansiosamente por um comentário seu porque sei que vai me conectar diretamente com o melhor da ironia juizforana… e isso não tem preço, kkkkk! Miss ya too friend!

  10. Renata N Oliveira disse:

    Show !! Um dos melhores registros de “O Mochilão”. Parabéns e sorte nas próximas etapas do passeio pelo mundo !! Tô adorando e indicando pra vários colegas.

  11. Carol Cirino disse:

    Fellipe, esse foi o melhor post! Boa viagem. Estou acompanhando tudinho.

  12. Adorei a ideia do Gui, Bolshoi. Depois de finalizar sua aventura, nada como um bom livro para fechar com chave de ouro. Tenho certeza que vai ser um sucesso! Tô adorando isso aqui!
    🙂

    • Fellipe Faria disse:

      Meu agente já está avaliando as dezenas de propostas que não param de chegar, Lu… kkkkk, mentira, mas já pensei nisso sim! Vamos ver como o blog vai ficar daqui a alguns meses, será que eu vou dar conta de atualizar isso tudo? Beijão!

  13. Gabi Lopes disse:

    Bolshoi querido, ótimo o seu blog!
    E ótima a sua viagem, heeim!!
    Tenho vindo aqui sempre, estou adorando!!
    Aproveite SF!! =)
    Beijocas

  14. Guilherme Arêas disse:

    Muito bom o blog, cara. Tenho lido sempre (dando gargalhadas muitas vezes). A sua narrativa coloca a gente dentro da história. Parece até que eu também tirei foto com a Beyoncé, fiquei enrolado com a máquina de lavar ou levei uma “jornalada” do velhinho no metrô… rsrsrs
    Isso tem que virar um livro depois.
    Abraço e aproveita a viajem (como se você não estivesse seguindo essa recomendação, ne… rsrs)

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