Falta 1 mês: últimos preparativos antes do embarque

Depois de comprar quase todos os equipamentos para a viagem, preparar o visto para os EUA, acertar o desligamento do trabalho e definir o itinerário do Ticket Round The World, a volta ao mundo finalmente começa a ganhar forma. Ao mesmo tempo, o desespero começa a tomar conta do mochileiro: Será que vai dar tempo de organizar tudo? Vender o carro, escolher o melhor seguro-viagem, retirar o FGTS, dar entrada no seguro-desemprego, conversar com o gerente do banco, nomear procurador para os meses de ausência…

E o planejamento financeiro? Será que vai dar pé?

Talvez o budget seja o fator mais decisivo para qualquer viagem desse porte. Mas ao mesmo tempo um orçamento pode se tornar extremamente relativo dependendo do perfil do mochileiro. Se a idéia de dividir um quarto com mais dez gringos que não vão ter hora pra chegar bêbados ao albergue ou de enfrentar uma refeição numa barraquinha tailandesa no meio da rua lotada não te agradam, prepare-se pra enfiar a mão no bolso!

Hospedagem

Quem viaja sozinho tem que estar preparado pra passar dias sem alguém com quem dividir uma risada ou ficar de papo pro ar. Por isso, a facilidade para encontrar novos amigos é uma das razões que fazem dos Hostels / Albergues da Juventude minha primeira opção de hospedagem. O outro motivo é óbvio: as tarifas normalmente são bem mais competitivas que em qualquer hotel de rede.

O ideal é fazer a reserva nos hostels com antecedência para garantir as vagas nos albergues mais concorridos, mas para não engessar demais meu roteiro fechei somente as reservas em New York e San Francisco. Vai que Hong Kong me encanta e eu resolvo fincar o pé por mais um tempinho, né?

O CouchSurfing também é uma boa alternativa de hospedagem econômica. Nunca cheguei a utilizar o serviço, mas não faltam histórias de quem passou a noite em um sofá oferecido pelos usuários da rede social. O hilário blog do Claudiomar está cheio de causos desse maranhense, que conheceu um monte de gente graças à ferramenta. Além de tudo, acho que o CouchSurfing é um jeito original de apreciar um pouco mais da cultura local pelo olhar de um morador. Vou arriscar!

Alimentação

Como a viagem vai passar por muitos países, cada um com seus costumes gastronômicos, é preciso estar preparado para sabores desconhecidos e hábitos aparentemente estranhos. Mas já aviso que espetinho de grilo, ovo com pintinho, churrasco de cachorro e outros exotismos extremos estão fora de cogitação!

Para economizar, vale se fartar no “variado” café da manhã do hostel (quando ele é oferecido), comprar comida no mercado pra preparar na cozinha do albergue, apelar para o tradicional fast-food e, claro, aproveitar a oportunidade para fazer aquele regime mais punk que você estava planejando há um tempão. Só não vale poupar na hidratação: água mineral é sempre a opção mais saudável e segura. E fique esperto com os riscos de infecção alimentar. Uma dor de barriga pode acabar com sua viagem e fazer com que as lembranças mais marcantes das sonhadas férias em Bali sejam as da privada do bangalô.

Transporte

Como contei no último post, comprei a passagem RTW da aliança de companhias aéreas OneWorld. Mas já vi histórias de gente que só comprou passagens aéreas para trechos mais longos e percorreu a maior parte do planeta por terra (ônibus, trem, moto, bicicleta, pau-de-arara…) e água (ferry-boat, barco, jangada… o que não falta é opção!). No meu caso, a simplicidade do ticket RTW falou mais alto.

No final da viagem, além do trecho aéreo entre Madri, Roma e Londres, já incluído no meu roteiro, pretendo comprar um passe que oferece livre deslocamento terrestre entre diversos países da União Europeia. Só não decidi ainda se vou de trem (Eurail Global Pass) ou de busão (Eurolines Pass).

Seguro de Viagem

Pesquisei muito pra encontrar a opção com o melhor custo-benefício, mas infelizmente a gente só descobre se um seguro é bom na hora do aperto. Acabei escolhendo o World Nomads Travel Insurance, oferecido por uma empresa dinamarquesa. O World Nomads tem ótimos reviews na Internet e é um dos poucos que oferece cobertura em todo o mundo por um preço competitivo. Se eu fosse comprar um seguro tradicional, provavelmente precisaria de uma apólice pra América do Norte, outra pra Ásia e mais uma pra Europa. Importante: Lembre-se que uma apólice de seguro com cobertura superior a 30 mil euros é indispensável para passar pela imigração na União Europeia!

Vou optar pelo Seguro Premium, que oferece reembolso em caso de extravio de bagagem, perda do passaporte, seguro de vida, assistência legal em caso de detenção e outras vantagens  – além da cobertura de despesas médicas. O Seguro Premium com a duração que escolhi sairia por US$ 539, mas com o cupom de desconto WNFANS o valor caiu pra US$ 501 (7% de desconto)! Aproveite essa dica!

Ah, vale lembrar que pra fazer adquirir o World Nomads seu cartão de crédito precisa estar habilitado para compras no exterior.

Saúde

Fazer um check-up médico e odontológico pode evitar problemas graves no meio da viagem. Já pensou ter que obturar um dente no Camboja ou tratar uma hemorróida na Jordânia? Haja Google Tradutor! Outra coisa: vale a pena levar seus remédios preferidos para moléstias variadas como resfriados, alergias, dor de cabeça e diarréia (com receita, lógico). E não se esqueça de conferir se o país que você vai visitar exige alguma vacina especial. No meu caso, vou pegar o Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela na seção da Anvisa no Galeão.

Moeda: Cartão de crédito internacional, saque no caixa eletrônico, Visa Travel Money, dinheiro vivo?

Mesmo com a crise nos EUA o real parece estar em uma boa fase. Mas é preciso saber que em março deste ano o IOF em transações com cartão de crédito no exterior aumentou de 2,38% para 6,38% do valor pago. Por isso, sempre vale a pena pesquisar diferentes opções pra fazer seu dinheiro valer mais lá fora. Andar com milhares de dólares a tiracolo, nem pensar. Retiradas no caixa eletrônico incluem pagamento de taxa por saque. Há outras alternativas como os travellers checks e os cartões de débito internacionais recarregáveis. O Visa Travel Money, por exemplo, tem IOF muito mais baixo (apenas 0,38%, pago somente no momento da operação de compra dos dólares ou euros) e oferece vantagens como a facilidade de recarga – mas a cotação oferecida pela bandeira segue o ritmo do dólar turismo, que pode não compensar. O ideal é variar suas opções de pagamento e rogar a Nossa Senhora do Câmbio para que a cotação não dispare no meio da viagem. Uma última dica: se tiver tempo, avise o gerente do seu banco que você vai viajar. Ele vai te lembrar que você precisa autorizar o uso do cartão no exterior, evitar o bloqueio automático da sua conta por utilização incompatível com o perfil do cliente e dar sugestões sobre as melhores opções pra aproveitar o momento atual do câmbio.

—–

Quando o próximo post for publicado, é bem provável que eu esteja com tudo pronto para embarcar. Você vai conferir tudo que vai entrar na mochila e saber como estão as expectativas para o início desta grande aventura!

Obs.: O endereço deste blog só será divulgado para amigos, parentes e outros usuários da Internet quando a viagem já tiver começado, mas as estatísticas do WordPress mostram que O Mochilão já recebeu um monte de visitas. Se tiver caído por aqui de paraquedas, deixe seu comentário e faça um mochileiro feliz!

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21 respostas para Falta 1 mês: últimos preparativos antes do embarque

  1. Leane disse:

    Outra pergunta. Quanto você calcula que gastou nesse período de viagem? Passagem, estadia, alimentação…

  2. Theo Afiouni disse:

    Olá Felipe! Parabéns pela iniciativz. Fiz um mochilão de dois anos pela américa do sul, e agora estou me preparando para sair do continente ( Europa, Ásia ). Cara, você é muito organbizado, parabéns! Boa sorte na viagem, que você desfrute das novas companhias! Cara, você tem algum método para preparar orçamento para a viagem? ( pergunto porque não faço, e sinto falta disto ).
    Como você faz?

    • Fellipe Faria disse:

      Obrigado, Theo! Na verdade já acabei a viagem, você deve ter achado o post antigo por acaso no Google e não viu os outros, hehe. Pra falar a verdade não me organizei tanto antes. Preparei um budget geral e fui controlando mensalmente, com o extrato do cartão Travel Money e do cartão de crédito. Aí eu ia segurando ou afrouxando de acordo com o que eu realizava. Não sou dos mochileiros mais organizados também, hehe. Grande abraço!

  3. Bruno Costa disse:

    Oi Felipe, achei bem interessante seu relato! Meu nome é Bruno e estou indo a Europa morar por 1 ano. Estou em dúvida sobre o seguro viagem. Li vários relatos dizendo que esse World Nomads é bom. Mas fiquei com uma dúvida, se eu adquirir esse seguro, serão incididas taxas como IOF ou outras? porque caso sejam, acho que vale mais a pena algum desses comprados em agencias de viagem mesmo.. Obrigado!

    • Fellipe Faria disse:

      Bruno, se a compra do seguro for feita com cartão de crédito, você paga IOF por compra internacional sim. Quando eu comprei, o seguro ficava bem mais barato – mas especialmente porque era para uma viagem com vários continentes. Se você for ficar só na Europa, é possível que outros seguros saiam mais em conta mesmo. Abraço!

  4. Adriano Lucas disse:

    Amigo, gostei muito do seus relatos. Pretendo fazer em 2013. To em duvida com relacao ao gasto medio diario. Sera que $50,00 diario é o suficiente?

    • Fellipe Faria disse:

      Adriano, o gasto diário vai depender muito do país em que você vai estar… na Tailândia ou no Camboja, é possível encontrar bons hotéis, com piscina, por US$10 a diária. Já na França, é difícil encontrar um dormitório com 12 camas por menos de 30 euros/dia! O mesmo vale para comida, balada, entrada pra ponto turístico… Então, seu orçamento vai sempre ficar dependente da localização!

  5. Lucas Feitosa disse:

    Fala Fellipe.
    Cai de paraquedas em seu blog, pois estava procurando na internet informaçoes dobre o ticket RTW. Muito maneiro seu post inicial, e certamente vou acompanhar seus proximos post. Pretendo em 1 ano estar realizando a mesma viagem que você.
    Tenho algumas perguntas, e se voce puder responder iria ajudar bastante.
    1- Como voce seleciona os destinos?? É so contactar a empresa area e escolher o destino??
    2- Qual foi a sua escolha para realizar os pagamentos nos paises?? Esta levando um cartao internacional, dinheiro separado de cada pais, como isso funciona ???

    Agradeco a atençao, boa sorte na viagem!!

    • Fellipe Faria disse:

      Oi, Lucas! Que bom que a passagem RTW te interessou!
      Os destinos são escolhidos nos simuladores das alianças das cias aéreas e estou usando majoritariamente o Visa Travel Money para sacar dinheiro no exterior sem pagar os absurdos 7% de IOF dos cartões de crédito normais (que também trago para emergência). Quando você saca nos ATMs (como os caixas são chamados em inglês), a moeda liberada pela máquina é a do país. Deu pra entender?
      Os detalhes sobre a compra da passagem e os sites das alianças de companhias aéreas que simulam seu itinerárioestá no seguinte post:
      https://omochilao.com/2011/07/18/como-comprar-uma-passagem-de-volta-ao-mundo/
      Abração!

  6. Lidiane Eto disse:

    olá Felipe! tudo bem. Caí de pára-quedas aqui, ou melhor… através do twitter da webjet. Legal os posts… pela primeira vez encontrei um local onde fala sobre o “round the world ticket”, que eu nem tinha conhecimento do nome, só do que se tratava, bem de longe. Boa sorte na viagem! Vou tentar acompanhar a sua pelos seus posts para fazer a minha, provavelmente no começo do ano que vem. abraços!

  7. Fala, Fellipe! Estou de olho no seu blog e resolvi deixar um comentário de uma vez pra fazer um “mochileiro feliz” ehehehe. Boa viagem por aí e quem sabe não nos encontramos na Ásia ou Oceania. Nossos caminhos vão se cruzar… Abração!

  8. Olá! Muito bom o seu blog! Parabéns pela coragem de fazer sua volta ao mundo!

    Não encontrei no blog o tempo total de viagem. Você sabe quando volta ou não tem previsão certa?

    Boa viagem!

    • Fellipe Faria disse:

      Obrigado pela visita e pela pergunta, Flávio!
      O tempo total de viagem ainda é uma incógnita pra mim… por enquanto a idéia é encerrar a viagem com um curso de Marketing na Inglaterra e voltar para o Brasil em meados de fevereiro, mas ao mesmo tempo tenho muita vontade de encarar um ou dois meses de trabalho sem qualificação (garçom, vendedor de loja, atendente de hotel, etc.) em algum país europeu (de preferência na Espanha, pra tentar conciliar com um curso de línguas). A vantagem da passagem RTW é que vou ter até setembro pra adiar o retorno. Vamos ver no que dá!

  9. Renato disse:

    Caí no seu blog pelo seu comentário no site do claudiomar.
    Gostei, parece que vai ser bem legal a descrição da viagem.
    Estarei acompanhando.
    Só não faça como o Claudiomar, atualize seu blog sem grandes intervalos.
    Abraços e boa viagem.

    • Fellipe Faria disse:

      Fala, Renato!
      O blog do Claudiomar é bem legal. O cara reúne alguns dos mais engraçados relatos de viagem do mundo todo! Vou tentar seguir um ritmo periódico de postagens, mas já aviso que devo comprar um netbook só em Hong Kong e, por isso, ainda não sei como vou fazer pra atualizar o blog nos primeiros dias.
      Obrigado pela visita e continue acompanhando o blog!
      Grande abraço!

  10. Fernando disse:

    Felipe,
    (antes de qualquer coisa, boa sorte na sua viagem!)
    Três perguntas simples (e fique à vontade para não responder alguma, caso não queira):
    1) Onde você definiu a compra da sua passagem? Alguma agência?
    2) E seguro saúde?
    3) E, por último, qual é o budget mensal que você está separando (excluindo a passagem e o seguro)?
    Um abraço,
    Fernando

    • Fellipe Faria disse:

      Fernando,
      Obrigado pelas perguntas! Espero que as respostas possam ajudar você e outros mochileiros que estão passando pelo blog. Vamos lá:
      1) A compra do ticket Round The World foi feita diretamente pelo site da OneWorld (www.oneworld.com), uma das três alianças que oferecem o serviço. Não procurei o serviço em agências porque pretendo evitar o engessamento de datas e hospedagem, mas já ouvi falar que a TAM Viagens oferece um pacote de volta ao mundo que inclui o ticket RTW da Star Alliance e diárias em hotéis. Não sei detalhes sobre essa possibilidade!
      2) Comprei hoje o seguro da World Nomads. Pelas pesquisas que fiz na Internet, acredito que é a melhor opção pra esse tipo de viagem porque é uma das poucas companhias (senão a única) a oferecer um serviço worldwide, ou seja, despesas cobertas independentemente do país ou continente em que você estiver.
      3) Essa é a pergunta mais difícil! O orçamento tem sido a parte mais complexa para planejar e controlar, especialmente com essa crise econômica querendo explodir lá fora. Além das reviravoltas no câmbio, tem as características de cada país. Uma diária num dormitório de hostel em San Francisco custa em média US$ 30, mesmo valor cobrado por um quarto num hotel boutique 3 estrelas em Siem Reap, no Camboja, com piscina e café da manhã continental.
      Por isso, minha estratégia vai ser planejar um orçamento mensal de acordo com os locais a serem visitados e tentar controlar periodicamente, apertando aqui e afrouxando ali. Ainda não posso informar com precisão quais serão esses valores porque dependo da venda do carro, das verbas rescisórias do trabalho e do sobe-desce atual do dólar. E também preciso deixar uma verba separada para meu retorno ao Brasil!
      Espero que tenha ajudado, Fernando!

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