Dando adeus ao trabalho

Eu pensava que uma das etapas mais difíceis da realização dos planos para a volta ao mundo seria a derradeira reunião com minha chefe para discutirmos os termos de desligamento do trabalho. A conversa finalmente aconteceu e, como a maioria dos momentos cercados de extrema expectativa, foi muito mais tranquila do que eu imaginava. Mas antes da descrição desta cena, vamos a um pequeno flashback que explica como chegamos aqui.

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Sou graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, e tenho pós-graduação em Comunicação Corporativa. Já passei por algumas redações, trabalhei um ano em uma agência de publicidade e há dois anos cuido de relacionamento com comunidades em grandes obras de construção civil.

Antes de trabalhar com comunicação social em obras, eu adorava o que eu fazia. Redigir matérias jornalísticas, falar para o público ou para as câmeras, criar textos para anúncios publicitários, apresentar um projeto para um cliente ou dar idéias no planejamento de uma campanha de comunicação… isso tudo sempre me deixou muito feliz. O que não ajudava muito era o contracheque – se você não sabia, o salário de um profissional de comunicação é quase sempre baixo, especialmente em cidades pequenas ou médias, como Juiz de Fora, onde eu me formei e comecei minha carreira.

Recém-formado, vindo de uma família simples, não dei muito foco a minha carreira: meus objetivos eram quase sempre relacionados ao dinheiro. Para ilustrar: na entrevista de contratação para a agência de publicidade em que trabalhei (boas lembranças!), o diretor me perguntou como eu me via dali a 10 anos. Minha resposta? “Eu me vejo rico”.

Foi com esse objetivo que saí de Juiz de Fora rumo a Carandaí, uma cidadezinha de 20 mil habitantes no interior de Minas, para trabalhar no setor de Comunicação Social da obra de construção de um gasoduto. Para meus padrões naquela época, a remuneração era fantástica – o que tornou a proposta irrecusável.

Só que rapadura é doce, mas… o trabalho era estressante, cansativo e não me motivava muito. Mesmo assim, uma proposta para trabalhar na construção de um outro gasoduto, no ABC Paulista, me fez arrumar as malas e partir. As dificuldades lá eram ainda maiores: fazia muito frio, a cidade era longe de casa e dos amigos, a comida não ajudava e o trabalho estava prestes a me deixar maluco. Só que o salário era mesmo ótimo – comprei meu carro nessa época. Depois de alguns meses, recebi uma proposta para vir para a obra em que estou neste momento.

Depois de praticamente três anos sem um período mais longo de descanso – cheguei a tirar 10 dias de férias em 2009 -, os problemas do trabalho passaram a interferir demais na minha vida. Chego esgotado em casa quase todo dia, minha alimentação não é das melhores, ir à academia é um esforço hercúleo.

Juntando tudo isso a uma grande vontade de conhecer o mundo, a idéia foi deixando seu estágio embrionário, como mostra o primeiro post deste blog, e evoluindo, até chegar ao momento em que se consolida a decisão de deixar uma ótima remuneração em busca da satisfação pessoal e da realização de um sonho.

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Voltemos à reunião com minha coordenadora: Tentamos agendar uma conversa durante toda a semana (ela trabalha em uma cidade diferente da minha), mas milhões de obstáculos surgiram no trabalho justamente nesse período. Assim, só conseguimos marcar para o sábado. Não adiantei o assunto, mas assim que pegamos nossos cafés e sentamos para a fatídica conversa, percebi que ela já sabia do que se tratava: “Vamos ver se minha intuição está correta”, ela sugeriu.

E estava mesmo correta. Ela já sabia que meus objetivos profissionais apontavam em outra direção, que eu estava cansado de lidar com os mesmos problemas, que eu estava me sentindo limitado. Já sabia de tudo. E disse mais: “Fellipe, conheço muitas pessoas que têm vontade de fazer o que você está fazendo. Milhões delas. Mas conto nos dedos as que têm coragem”. Naquele momento, reafirmei toda a certeza da admiração que eu tinha por aquela grande profissional. E o melhor: deu tudo certo e organizamos toda minha saída, com antecedência suficiente para que o setor se prepare para a substituição do profissional. Serei desligado no dia 1º de setembro!

Para encerrar este post, não gostaria de deixar uma imagem – mesmo que leve – de ingratidão com relação ao trabalho nas obras. Foi esse trabalho que me permitiu a concretização de muitos planos e nessas obras que conheci grandes amigos. Quem sabe eu volto com a cabeça fria e outra obra – de preferência bem pertinho de uma cidade grande – me seduz? 😉

Crianças das comunidades: a melhor parte do trabalho de responsabilidade social

No próximo post, finalmente a primeira versão do itinerário e os detalhes sobre a passagem de volta ao mundo!

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8 respostas para Dando adeus ao trabalho

  1. Luis Felipe disse:

    Fellipe, parabéns cara.
    Cada post que eu leio me identifico muito.

    Também sou jornalista, mas diferente de você na época eu gosto muito do que eu faço (esporte em SP numa Tv grande), mas a remuneração é baixa perto da sua antiga hahah

    Enfim, depois de um mochilão Montevideo – Buenos Aires – Colonia, decidi que o próximo passo é me juntar ao mundo.

    Você ajuda na inspiração.

    Abraços

  2. eimy disse:

    em meio a pesquisa pra uma viagem..me deparei com esse seu relato! tenho uma pergunta..hoje sua angustia passou?? esta realizado ? passei por isso tbm alguns anos atras e as mesmas angustias e insatisfacoes (porem na minha area)…e fiz a mesma coisa que vc! fui e voltei..mas meu ” “siricuticu” voltou, quer dizer, a angustia mudou um pouco de razao haha..a vontade de ir pro mundo de novo eh grande! ai senhor. haha

    • Fellipe Faria disse:

      Eimy, por incrível que pareça, eu acho que passou! Estou no emprego dos meus sonhos, trabalhando com coisas que adoro e aprendendo muito a cada dia. Claro que a vontade de botar uma mochila nas costas e conhecer gente do mundo todo não vai embora nunca… mas já estou planejando a minha próxima viagem (nas férias!) e devo ir a Machu Picchu! Dê uma entradinha neste site. Tem muita coisa bacana pra quem quer descondicionar a felicidade, viver uma vida mais simples. Tenho me orientado bastante pelas coisas que vejo por lá! Avalie se você está fazendo o que gosta. Se não estiver, faça um plano de ação para atingir sua meta (mesmo que tenha que começar lá de baixo, como secretária do assistente do assistente). Espero que você tenha sucesso! Abraço

  3. Fellipe Faria disse:

    Náira, que surpresa boa ver um comentário seu por aqui! Espero que esteja tudo bem por aí. Tô fazendo meu caminho das águas também, hehe… muita saudade dos nossos lanchinhos e até dos muxoxos, haha! Beijão! Volta mais por aqui, é sempre bom ter notícias suas! =)

  4. Náira disse:

    Ei, amigo, adorei TUDO! Inclusive sua decisão e atitude. Pode ter certeza, embora talvez surpreso…rs, que entendo muito o que quer dizer. Boa sorte! Aproveita MUITO e não deixe de contar timtim por timtim. Estou brava porque você sumiu, mas torço demais por ti! Um grande beijo!

  5. Guilherme Rezende disse:

    hercúleo…. Gostei!!! kkkk

    • Fellipe Faria disse:

      Guilherme, você foi o primeiro visitante conhecido a deixar um chiste por aqui, seu safado! Aproveite e avise a Viviane que se ela não deixar um comentário por aqui vou começar a contar algumas histórias do tempo da Facom, hehehe… um esforço nada hercúleo! 😛

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