Pra lá de Marrakesh

Por Felipe Gasparete*

Lendo o noticiário semanal, deparei com a notícia de que o Marrocos não vai mais sediar a Copa Africana de Nações devido ao surto de ebola que está ocorrendo na África Ocidental. Deixando um pouco de lado a questão médica, acabei lembrando de uma viagem que fiz ao país em 2011, e fiquei revivendo essa grande experiência.

Quando morava no Porto, em Portugal, durante meu intercâmbio, uma amiga estava passando férias na cidade e disse que tinha comprado passagens muito baratas para Marrakesh, e perguntou se não estava interessado em ir também. Fiquei curioso, pois nunca tinha pensado em ir lá. É um daqueles países que não estavam na minha lista dos “1000 lugares para conhecer antes de morrer”.

Bandeira do Marrocos

Entrei no site da companhia aérea e constatei que as passagens realmente estavam baratas. Reservei um voo direto para dali a cinco dias, que acabou custando € 35,00 ida e volta, com taxas inclusas (saudades Ryanair!). Mas quem não curte viajar como sardinha enlatada, outra empresa low cost é a easyJet, e grandes companhias como TAP e Iberia também possuem voos regulares. Do Brasil ainda não há uma ligação direta para o Marrocos, é necessário fazer escala em alguma cidade europeia, como Madrid ou Lisboa.

O próximo passo foi reservar um albergue em Marrakesh, o que também acabou sendo barato. Fiz uma reserva pelo HostelWorld e paguei € 15,00 a diária, por uma semana. Quem não gosta de ficar em albergues pode optar por se hospedar em grandes hotéis, como o Hotel La Gazelle ou Siaha, que possuem diárias variando entre € 50,00 a € 300,00 ou o incrível resort La Mamounia, inaugurado em 1922, que possui diárias entre € 300,00 e € 4000,00. Há também as opções alternativas como o Airbnb, Craigslist ou CouchSurfing. Pronto. Passagens pagas e reserva efetuada, só faltava esperar o dia e fazer as malas.

Como o Marrocos é um país de clima mediterrâneo seco, normalmente as temperaturas durante o dia são mais elevadas, e à noite faz um pouco mais de frio. Portanto, o ideal é levar tanto roupas leves, quanto casacos. Aviso às navegantes: os marroquinos têm uma má fama em relação à maneira como abordam as turistas. Isso não significa que eles vão te agarrar no meio da rua ou coisa parecida, mas alguma investida será feita, principalmente se você estiver desacompanhada e/ou com roupas chamativas. Algumas dicas se você estiver sozinha no Marrocos podem ajudar a repelir olhares devoradores e curiosos: não use roupas curtas, como minissaias e decotes; prenda os cabelos, entre na moda marroquina e use um lenço; não responda perguntas nas ruas e mantenha sempre o seu ritmo; e claro, evite sair sozinha à noite.

Mapa do Marrocos.

O Marrocos fica localizado no extremo noroeste da África, e tem 710 km² de extensão e mais de 33 milhões de habitantes. Está a apenas 13 km do sul da Espanha, separado pelo Estreito de Gibraltar, sendo banhado tanto pelo Mar Mediterrâneo quanto pelo Oceano Atlântico. O país ainda é uma monarquia, em que o rei é o chefe de governo e a capital é Rabat. O islamismo segue como religião oficial e o árabe como língua mais falada, porém é comum encontrar placas, avisos, cartazes escritos em francês, uma vez que o Marrocos foi colônia francesa. A moeda local é o dirham (DH), existem cédulas de 10, 50, 100 e 200 DH e moedas de 5, 10, 20 e 50 centimes (centavos), e de 1 e 5 DH.

Ainda guardo uma nota de 20 DH de recordação.

Durante toda a semana que permaneci lá, gastei em média € 300,00, com a passagem inclusa. Alguns restaurantes mais modernos e hotéis aceitam cartão de crédito/débito, entretanto a grande maioria dos estabelecimentos trabalha exclusivamente com dinheiro. Existem vários caixas eletrônicos espalhados pelas ruas da cidade, de onde é possível sacar mais caso o seu acabe.

Depois de sobrevoar metade de Portugal e cruzar o estreito de Gibraltar, aterrissei no aeroporto Internacional de Marrakesh, numa manhã de fevereiro. Logo após o portão de desembarque, uma funcionária do aeroporto nos recebeu e nos deu mapas da cidade. Explicou que a melhor maneira de chegar ao nosso hostel seria de táxi, pois os ônibus eram velhos e demoravam a passar. Como em todo aeroporto, vários carros ficam a espera de passageiros para levá-los a seus respectivos hotéis. Por mais que Marrakesh seja uma cidade grande, não há taxímetro nos veículos. O valor é combinado com o taxista, dependendo da distância. Combinamos o valor e fomos para o albergue. Na hora de pagar, o motorista simplesmente aumentou o preço porque éramos turistas. Tentei argumentar com ele e dizer que estava sendo injusto, mas diante de tamanha teimosia acabei cedendo e pagando.

A medina de Marrakesh, ou a Cidade Fortificada, é o centro histórico do município, cercada por grandes muralhas, onde encontramos o mercado, a praça Djeema El-Fna, os jardins e a Mesquita de Koutoubia. Se aventurar por aí pode ser um tanto quanto complicado, pois as ruas são pequenas e o pedestre tem que lutar com carroças, motos, bicicletas, tudo junto e misturado, sem qualquer placa de trânsito ou um policial para ajudar no fluxo.

A praça Djeema El-Fna é a mais movimentada de Marrakesh, e a que mais atrai turistas, com espetáculos variando de saltimbancos a encantadores de serpentes. Pessoas com trajes típicos param para tirar foto com estrangeiros, mas geralmente eles cobram uma taxa. Num dos lados da praça, dezenas de barracas servem uma excelente comida, tipicamente marroquina, como cuscuz, brochetes de carne e frango, salada, tajine e o delicioso chá de menta. Quem não quiser se misturar com os locais pode escolher os ótimos restaurantes para turistas ao redor da praça, e para os apressados, há também as redes de fast food KFC, McDonald’s e Subway.

Vista parcial da praça Djeema El-Fna

Na medina é fácil se perder com os cheiros, cores e sons dos comerciantes. Há uma grande variedade de produtos, que faz com que você queira encher sua mala de objetos. O segredo na hora da compra está na barganha. Assim como no caso do táxi, tudo é combinado no Marrocos. Num país com tradições comerciais, a barganha é o verdadeiro lema dos vendedores. É uma questão mais que cultural, é uma arte. Mas não comece uma negociação se não tiver o interesse de levá-la a cabo. Eles podem sentir-se ofendidos. E tenha paciência, pechinchar com os marroquinos requer tempo.

A sudoeste da praça encontra-se a Mesquita de Koutoubia, com seu imponente minarete de 69 m. O seu interior é constituído por seis salas, uma por cima da outra. Da torre se ouve a voz do muezim chamando os fiéis para rezar “Allah u akbar” (Deus é grande) cinco vezes ao dia. Ao lado da mesquita encontram-se os jardins da cidade, uma ótima pedida pra quem quer descansar um pouco e apreciar uma área sombreada.

Os jardins são ótimos para descansar e aproveitar uma sombra.

Outro jardim famoso é o Majorelle, construído na década 1920 pelo pintor francês Jacques Majorelle, e que também pertenceu ao estilista Yves Saint Laurent. Com um pequeno museu e memorial sobre o artista, o jardim agrada por ser um verdadeiro oásis no deserto.

Memorial Yves Saint Laurent no jardim Majorelle.

Depois de conhecer a cidade por alguns dias, resolvemos fazer um passeio que nos levaria a um dos lugares mais bonitos e inóspitos da Terra: o deserto do Saara. O mais famoso dos desertos ocupa uma parte desse país, que leva seus visitantes a uma das mais belas paisagens do planeta. Várias agências de turismo de Marrakesh promovem esse passeio, a um custo aproximado de € 60,00 por pessoa.

Para começar, tivemos que deixar Marrekesh para trás e partir em direção à Atlas, a cadeia montanhosa que separa o deserto do oceano (Para quem não conhece o mito grego de Atlas, vale uma leitura). A estrada é bastante sinuosa, cheia de desfiladeiros e possui vários atrativos como as aldeias dos povos berberes.

Estrada sinuosa na cordilheira do Atlas.

As paradas mais interessantes ocorrem nas cidades de Tinerhir e Ouarzazate, logo após a descida da cordilheira. São famosas no Marrocos por servirem de cenários a vários filmes hollywoodianos, como “Gladiador”, “Lawrence da Arábia”, “Édipo Rei”, “A múmia”, entre outros. Ouarzazate é sede dos estúdios “Atlas Corporation” e tem um museu de cinema onde estão expostas peças dos cenários e vestuário usados em alguns filmes.

Museu de cinema de Ouarzazate.

Depois de uma longa viagem chegamos ao Saara. Um grupo de guias estava nos esperando com alguns dromedários. Montamos nos bichos e partimos para o acampamento no deserto. É meio desconfortável andar em cima de um dromedário: a rahla, cela que usam para montar no animal é dura, e o andar do dromedário sobre as dunas faz com que percamos um pouco do equilíbrio.

Dromedário: meio de transporte no deserto.

O acampamento não era muito grande. O único problema foi o banheiro, ou melhor, a falta dele. Como estamos no deserto, não há encanamento, tampouco água em abundância. Portanto, quem quisesse fazer as necessidades, teria de usar uma fossa, cavada nas areias. Um pouco primitivo, mas que deu conta do recado. Tendas foram montadas ao redor de uma fogueira, e um jantar foi servido. Mais tarde, sob o céu iluminado do deserto, os guias fizeram uma apresentação com músicas marroquinas, utilizando instrumentos que nem sabia que existiam.

Vista parcial do acampamento.

Às 5h fomos acordados para poder assistir ao espetáculo mais aguardado da viagem: o nascer do sol. Subimos até o cume de uma duna, de onde teríamos uma boa visão. O sol nascia sobre os montes de areia, revelando o verdadeiro tamanho do deserto: dunas, dunas, e mais dunas, até o fim do horizonte. Estava no Saara. Pra lá de Marrakesh.

O nascer do sol no Saara.

*Felipe Gasparete, 25 anos, é jornalista e ama viajar. Quer ter a maior quantidade possível de carimbos no passaporte. Tem os pés e a cabeça nas nuvens.

Publicado em Marrocos | Marcado com , , , | Deixe um comentário

10 dias no Peru: os preparativos

???????????????????????????????

Pessoal, como prometido, depois da série sobre Barcelona do Bruno Bosi, nosso autor convidado (valeu, Bruno!), vou resgatar as dicas e histórias de algumas viagens que fiz neste ano que ficou sem posts. A primeira delas é a viagem para o Peru, que fiz em agosto de 2013. A época é excelente para visitar o país, porque o tempo é seco e já não estava TÃO frio.

Peru

Aproveitei as duas semanas de férias e viajei com a Julia, uma amiga do trabalho. O mapa ao lado mostra o circuito que deu pra fazer em 10 dias: Foram 6 noites em Cusco, 2 noites no ônibus noturno da ida e volta de Arequipa e uma noite em Aguas Calientes, o vilarejo que é a base para a visita a Machu Picchu. Excluí a Visita ao Vale Sagrado da programação porque eu não tinha tempo e meus amigos que fizeram o tour disseram que não valia a pena. Foi um mochilão muito bacana, que não saiu muito caro. Meus gastos totais somaram cerca de R$ 1.500.

Quando eu estava planejando as férias, acabei dando sorte e encontrando uma promoção fenomenal para viajar pela TACA. A passagem de ida e volta (Guarulhos-Lima-Cusco) custou cerca de R$ 650, já com as taxas.

Quase toda viagem para o Peru deve começar por um mesmo ponto em comum: a complexa compra do ingresso para as famosas ruínas de Machu Picchu, que têm limite de visitantes por dia. Portanto, vamos começar pelas orientações para esse primeiro passo.

Como comprar o ingresso para Machu Picchu?

Como a preservação do complexo é extremamente importante para o Peru, a quantidade de visitantes que podem entrar no parque é limitada diariamente a cerca de 3 mil pessoas. Por isso, é fundamental comprar os tickets de entrada com antecedência.

A confusão vai começar aqui, OK? Antes mesmo de ver se há ingressos disponíveis para a data desejada, sugiro abrir duas abas: uma para o site de compra dos ingressos do parque e outra para comprar o ingresso do trem de Ollantaytambo a Aguas Calientes (há duas companhias: a IncaRail e a PeruRail). Afinal, se não houver assento no trem na véspera da sua subida a Machu Picchu, o único jeito de chegar lá é a pé, pela Trilha Inca (eu não tinha tempo nem estava preparado fisicamente para essa trilha, mas nos hostels de Cusco é possível se informar da disponibilidade de ingressos, também limitada).

Com as abas abertas, vá verificando as disponibilidades para a sua modalidade de ingresso no calendário do site do governo peruano. Há três modalidades de ingresso:

  1. Machu Picchu: permite apenas a visitação às ruínas
  2. Machu Picchu + Huayna Picchu: permite visitação às ruínas + a subida à montanha Huayna Picchu, a mais simbólica e que sempre estampa o fundo das fotos dos visitantes (ingresso disponível em dois grupos de horários para a subida da montanha)
  3. Machu Picchu + Montaña: permite visitação às ruínas + a subida à Montaña Machu Picchu, a mais alta, menos famosa e com trilha mais longa. Esse foi o ingresso que escolhemos.

À esquerda, a famosa Huayna Picchu. À direita, a montanha que subimos

Com a data escolhida disponível tanto no site de Machu Picchu quanto no site da companhia ferroviária, é hora de superar outro obstáculo: a confirmação da compra com cartão de crédito.  Como você deve imaginar, é preciso ter um cartão de crédito internacional para efetivar o pagamento do ingresso. Mas como no Peru é altíssima a quantidade de fraudes bancárias, o site só aceita cartões Visa que tenham o selo Verified by Visa.

Por algum motivo, o meu cartão passou (e ele nem tinha o tal selo!). Se o seu não passar, você tem algumas opções:

a) Entrar em contato com seu banco e verificar o que pode ser feito (mesmo sem o selo estampado no cartão, seu gerente pode habilitar a função)
b) Entrar em contato com a equipe de atendimento ao visitante de Machu Picchu pelo e-mail callcenter@drc-cusco.gob.pe
c) Pagar o ingresso com um cartão Visa Travel Money (dizem que dá certo!)
d) Comprar o ingresso com uma agência de viagens nacional ou peruana
e) Assumir o risco e deixar para comprar o ingresso em um hostel ou agência física no Peru

Como você pode ver, cartão de crédito é um problema em viagens para o Peru. Por isso, leve bastante dinheiro vivo (de preferência dólares) e vá trocando o necessário em uma casa de câmbio confiável por lá. O Peru é um país em desenvolvimento, então é preciso lembrar o óbvio: cuide bem dos seus pertences e evite andar com muita grana em zonas perigosas ou desconhecidas, assim como você faria no Brasil.

Quanto custou viajar para o Peru?

Para ajudar os leitores, listei os principais gastos do mochilão que eu fiz pelo Peru (as cotações e os preços podem ter mudado – pesquise tudo antes de embarcar!)

Voo SP-Lima-Cusco: TACA - Aproximadamente R$ 650 ida e volta
Hostel Cusco: Millhouse Hostel - R$ 50 a diária
Hostel Aguas Calientes (base para Machu Picchu): Supertramp – 32SL a diária
Van Cusco-Ollantaytambo + Trem Ollantaytambo-Aguas Calientes: Aproximadamente US$60 (cada trecho)
Ônibus Cusco-Arequipa: 49SL (cada trecho)
Ingresso Machu Picchu + Montaña: Aprox. R$ 120

Agora você já sabe como preparar seu mochilão para o Peru. A chegada a Cusco, nossa experiência com o Mal da Altitude – o famoso soroche – e a magia das cidades incas você confere nos próximos posts!

Publicado em Peru | Marcado com , , | 2 Comentários

Barcelona para mochileiros (Dia 4)

Por Bruno Bosi

Último dia em Barcelona! Bateu aquele cansaço, combinado com a vontade de ficar mais um pouquinho. Meu sono durou três horas, mas levantei bem disposto para ir para a Catedral Sagrada Família.

image

image

image

imageÉ uma catedral que está em constante construção. Dizem que vão terminar a obra em 2026, ano do centenário da morte do arquiteto: Gaudí. De novo, baseado na natureza, tudo é curvo, simétrico e excêntrico. É incrível como foi construída e, no momento em que entrei na Catedral, algumas coisas me chamaram atenção. A primeira delas é a sonoplastia do lugar: ele projetou um teto com claraboias hiperbólicas que impedem a propagação do som, além de um teto alto que diminui a propagação das ondas. Resumindo: não há nenhum barulho no lugar, mesmo lotado de turistas. A iluminação também é impressionante: a luz é quase inteiramente natural e a igreja é projetada de uma maneira que exala vivacidade e leveza. Simbolismos cristãos são também bem presentes (como o triângulo no teto que representa a eternidade de Jesus e o curioso quadrado mágico da idade de Cristo, na foto ao lado). Surpreendente e difícil de descrever.

Vale lembrar que, mais uma vez, a compra de ingressos deve ser feita pela internet. O monumento histórico é bem requisitado - se não o mais requisitado de Barcelona - e, por isso, deve-se marcar o horário de visita. Este é um dos pontos que eu não gostei: a Igreja virou um monumento artístico e perdeu toda a característica singular. Sempre que você entra numa igreja, você sente uma vibe meio diferente, mesmo não sendo muito religioso. Lá não foi o caso. Uma pena, porque daria ao lugar um significado ainda mais excêntrico. Desvantagens da massificação do turismo.

Depois disso, voltei para o hostel para encontrar com os brasileiros e almoçar no mercado La Boquiera (de novo). Já estava com dó de tanto dinheiro gasto e resolvi optar pelo prato mais barato mais uma vez: calamari. Estava tão bom quanto antes. Os brasileiros que estavam comigo pediram um mix de frutos dos mar. Apesar de ser bem estranho (diria até feio), é uma delícia! Vale experimentar.

Fui fazer os programas que tive que cancelar no domingo: o Museu do Chocolate e o Bairro Gótico. O Museu do Chocolate é legal, mas não indicaria. São apenas algumas esculturas feitas de chocolate e painéis que explicam a história do chocolate. Para quem mesmo assim tiver interesse, o museu se localiza no Bairro Gótico, então continuei meu turismo por lá. E é mesmo incrível. Ruas super estreitas (espero que tenham boa noção de localização, pois não é muito difícil se perder) e casas altas deixam as ruas escuras - creepy e interessante. Sugiro que olhem as varandas das casas, têm coisas bem distintas e as grades são uma diferentes das outras, é muito singular.

A parte ruim deste dia foi o meu cansaço: ja não estava muito disposto a caminhar. Mas fui, sim, aos lugares mais famosos do bairro, parei em cafeterias e aproveitei o dia. Tinha que ir ao aeroporto, que ficava a 40 minutos da cidade, no meio da tarde. Assim, acabou meu dia e minha passagem por Barcelona.

Acho que o ápice do dia foi o monumento que vi na rua e fiquei sem reação: um Picasso no meio da rua?
image

É isso mesmo: um sketch de Picasso na parede de um prédio perto da igreja do bairro. Como eu disse, olhem para os lados! Há muitas coisas interessantes pra ver.

Este foi o roteiro e minhas impressões de Barcelona. Gostaria de agradecer muito ao Fellipe por ter disponibilizado este espaço para contar um pouco mais da história para vocês. Fiz outras viagens pela Europa. Quem sabe vêm mais posts por aí?

Até breve (?),
Bruno Bosi

image

*Bruno Bosi, 19 anos, é estudante de Economia e gosta muito de viajar. Passou 2 meses na Inglaterra estudando inglês e aproveitou os fins de semana para circular pela Europa.

Quer contar a história da sua viagem também? Deixe aqui um comentário e O Mochilão entra em contato com você!

Publicado em Espanha, Europa | Marcado com , , , , | 1 comentário

Barcelona para mochileiros (Dia 3)

Por Bruno Bosi

No terceiro dia eu tinha planos menos elaborados e não precisaria correr pra fazer tudo. Bom, eu estava tranquilo quanto ao tempo, mas não sabia que no domingo Barcelona para. Evite domingos lá. Não tem quase nada aberto: mercado La Boquiera, lojas, bairro gótico… Meus planos incluíam o Bairro Gótico, museu do Picasso, museu do Chocólatra, obras de Gaudí na avenida De Graça e o estádio do Barcelona (Camp Duo). O bairro gótico tive que cancelar porque seria perda de tempo, então fui conhecer as obras do maior arquiteto catalão.

Casabatllo2As casas de Gaudí localizam-se na avenida De Graça – é a avenida com as lojas mais luxuosas de Barcelona. Não ligo muito para lojas, muito menos para as de grifes, mas foi bem estranho andar numa das ruas mais movimentadas de Barcelona com quase tudo fechado. As casas de Gaudí (Casa Batlló e La Pedrera) são muito bonitas por fora; e, apesar de querer entrar, nem me atrevi a pagar 21 euros. Para mim, umas das coisas que está virando moda na Europa e que está desencorajando turistas é cobrar altos preços para entrar em lugares históricos. É uma pena. Deveria ser acessível a todos, ou pelo menos a um preço menos salgado.

La Pedrera Vista general

Vale a pena se enfiar nos becos paralelos e perpendiculares à rua de Graça porque são, às vezes, quarteirões fechados que têm vários
restaurantes. Rodei por um bom tempo, parei em uma cafeteria e resolvi olhar meu caminho para o museu do Chocólatra e do Picasso. Outro ponto negativo do domingo: as coisas fecham mais cedo. O museu do chocolate fecha às 15h, o que me fez suspender a visita também.

Fotor082113001

Mas ainda tinha Picasso. Olha, eu trocava 20 museus de chocolate por museus como o de Picasso. Primeiramente porque universitário não paga entrada (que normalmente custaria 11 euros) e segundo porque é um museu muito bem organizado cronologicamente, o que faz dele um dos melhores museus em que já estive. A exposição do museu é distribuída de tal forma que você consegue ver a evolução do traço dele e a mudança de humor e de estilo ao longo dos anos. Para mim, o melhor traço em obras de arte é o grosso e rápido, sem precisão, mas que forma uma figura no fim das contas. Picasso é assim. É impressionante o traço firme mas “aleatório” que ele tinha (me lembrou Van Gogh).

A exposição mostra desde autorretratos a sketches de lápis, pinturas em tons azulados melancólicos, influência do naturalismo de Michelangelo com o toque único cubista. A representação realmente cubista (que é o que faz Picasso ser conhecido – quem não conhece Guerníca?) está presente na última etapa da exposição. É a interpretação de Picasso da tela de Velasquez (Las Meninas), a tão famosa metalinguagem e expressão barroca como “arte livre”. É impressionante a expressão “exagerada” que Picasso dá às personagens da tela e consegue transmitir exatamente o que a tela original retrata com sutileza. Sugiro que leve uma foto de las Meninas para comparar os trabalhos.

product_page_gallery_close_up

Posso dizer que este foi um dos quadros de que mais gostei. O painel explicava que, por causa da influência catacônica de Michelangelo naquela época, Picasso introduziu um pouco de naturalismo em sua pintura, mas continuou com um toque leve de cubismo. Essa tela mostra exatamente isto: os traços firmes que delineiam o rosto, mas os cubos que preenchem o corpo.

Depois do melhor museu que já fui, voltei ao hostel para descansar um pouco e tomar banho (tente se programar para tomar banho em horários que provavelmente já terão limpado o banheiro de manhã e quando ninguém ainda tomou banho).

Depois segui para o estádio do Barcelona. Muuuito bonito, gigante, mas não entrei. Se não me engano, são 18 euros para entrar e achei que não compensava. Mas vai do gosto de cada um!

20140727_155556

De volta ao Hostel, entro no quarto e – tcharãm! – lá estão os brasileiros. Brasileiros juntos na Europa é pedir para fazer festa. Foi isso que aconteceu. Eram um casal de irmãos. Quando encontramos umas escocesas, a noite estava feita. Sei que fui dormir às 5h da manhã, sabendo que no outro dia tinha que levantar às 9h no máximo, porque a Basílica Sagrada Família me esperava.2014-08-21 12.54.20

PS: este dia andei bastante (porém não tanto quanto no segundo dia). De qualquer forma, a expressão de “nossa” continuou no meu rosto quando olhei esta imagem:

Publicado em Espanha | Marcado com , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Barcelona para mochileiros (Dia 2)

Por Bruno Bosi

Como estava bem cansado, me dei o luxo de dormir até um pouco mais tarde. Depois de levantar, resolvi tomar café no mercado La Boquiera. MEU DEUS, tomem sempre café lá. É incrível: frutas frescas, suco variados, comidas de tudo quanto é jeito. Porém não é barato, então não se empolga ao entrar no mercado porque há várias barracas que vendem os mesmos produtos. A dica é ir andando até o fim do mercado, onde os produtos são quase 25% mais baratos.

20140726_10451720140726_10455020140726_11080920140726_111142

Como levantei mais tarde e fiquei entusiasmado com o mercado (rodei cada centímetro gastando quase 2 horas lá), almocei por lá mesmo. Os melhores frutos do mar que já comi! Não é (muito) caro e vale cada centavo – paguei em torno de 10 euros (tome a famosa sangria junto do calamari).

image

O que mais me impressionou no mercado foi como as frutas e frutos do mar eram frescos (alguns ainda vivos). Dica: se for vegetariano, nunca entre neste mercado. Tem, além disso tudo, presuntos, azeite, sal, azeitona e outras “especiarias” para vender. É de encher os olhos.

.
20140726_110046 20140726_111553 wpid-wp-1408413711832.gif

Depois do mercado, resolvi ir para a praia (La Barceloneta), que é um pouco distante do hostel (uns 7 km, acho). Sugiro que ande pelo menos uma parte porque é muito bonito. Depois de andar um bocado, aluguei um longboard e fui passeando até a praia mediterrânea:

20140726_135056

A praia é bizarra: a areia não é nada parecida com a brasileira. De qualquer jeito foi bem bom. Só não se assustem com a galera pelada: nudismo lá é mais do que normal.

Hora de voltar pro hostel, descansar um pouco e sair de novo para o Parc Güell. O parque é uma das famosas obras do arquiteto Antoni Gaudí, que buscou inspiração em todas as suas obras no movimento da natureza (ou seja, nada de linhas e cantos). O lugar é muito bonito, mas é preciso comprar ingresso para entrar (para variar) na parte mais interessante do parque. Comece pelo mirante, pois a vista é linda e você consegue ver as obras de Gaudí de longe. De novo, aproveite o pôr do sol. Não se esqueça de reservar o horário de entrada no parque pela internet, primeiro porque é mais barato (7 euros na internet e 8 diretamente no parque) e segundo pois não estará sujeito à indisponibilidade de ingressos.

20140726_203807

20140726_203334

Para falar a verdade, quando entrei na parte exclusiva de ingresso não fiquei tão surpreso. São incríveis os mosaicos de Gaudi e é imensurável o tamanho do trabalho que ele teve para fazer cada metro de parede e escultura. Mas não me encheu os olhos. Gosto próprio. Fim de turismo, voltei pro hostel, devo dizer, decepcionado.

Chegando no hostel era hora de achar algo para fazer. E a maior vantagem de ficar em hostel quando você está sozinho é a socialização: 10 minutos no hall e arranjei a companhia de uns italianos e umas francesas para sair. Depois já viu, né? Bebeu, dormiu.

imageNeste dia, ao todo, andei 26 quilômetros com bastante prazer. A propósito, sempre meço a quilometragem pelo aplicativo S Health, que já vem preinstalado no Galaxy S4. Aconselho a todos que têm Galaxy com este aplicativo a usufruirem a sensação de “nossa, andei mesmo tudo isto?”.

Publicado em Espanha, Europa | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

Barcelona para mochileiros (Dia 1)

Por Bruno Bosi*

20140726_123931Fellipe me disponibilizou o espaço dele para contar um pouco da história das minhas viagens para vocês. Fiquei 4 dias em Barcelona e vou contar um pouco do que eu percebi e vivi lá. Algumas dicas também. Espero que gostem.

Estava sem expectativa alguma de ir para lá. Eu tinha que escolher entre Roma e Barcelona. Roma é Roma, dispensa qualquer tipo de explicação, mas o dinheiro estava curto e Barcelona era quase 50% mais barato. Então, vamos para Barcelona! Foi meu último desvio de rota do meu intercâmbio na Inglaterra – e valeu cada centavo.

Estava em Bournemouth, cidade em que estava morando na Inglaterra, e peguei um avião da polêmica Ryanair. O avião atrasou um pouco mais de uma hora e cheguei em Girona (um aeroporto a 45 minutos de Barcelona).

20140725_214128A capital da Cataluña é uma cidade bem difícil de andar. Aconselho que deixe o seu Google Maps aberto com o endereço do hostel registrado. Levei uns 30 minutos caminhando até meu albergue. Depois do Check-in, arrumei minhas coisas e fiz compras no supermercado.

Ideal Youth Hostel ficava bem perto da rua principal de Barcelona – La Rambla; e de todos os hostels que já fiquei, este foi o melhor deles. Com estrutura e design totalmente jovial, o hostel tinha WiFi grátis, era limpo e os quartos eram OK (não tem como um quarto de hostel ser perfeito). Superou minha expectativa e o preço era bem acessível. A localização do hostel é realmente muito boa. A menos de um quarteirão tem um KFC e um McDonald’s, a 5 minutos o Mercado la Boquiera e a 10 minutos um supermercado.

Corri então para comprar água, suco e um biscoito (dinheiro curto e muuuuito calor). Dica: ande sempre com água na mochila - Barcelona é incrivelmente quente. O castelo

Depois disso tudo, resolvi fazer o programa que talvez estaria cheio no fim de semana e que o pôr do sol ajudaria a vista. Acertei em cheio. Fui ao Montijuïc, um parque em uma das montanhas de Barcelona. Aconselho que sempre usem o metrô, não é tão caro e o passe M-10 ajuda a economizar (você tem direito a 10 passagens, que podem ser usadas por mais de uma pessoa). Porém, as informações do metrô não são das melhores. Fiquem espertos.

Chegando lá você pode escolher subir de teleférico (9 euros), ônibus ou a pé. Fui a pé e não me arrependi. A subida é bem íngreme (procure os atalhos entre os morros para cortar caminho), mas a vista é muito linda. Quando chegar no Castelo, olhe todos os centímetros em volta e depois vá descendo, curtindo a vista e parando nos parques pelo caminho.

Teleférico na descida do Castelo Montïjuic

InstaSize_2014_7 _ 186868

Parei num parque um pouco depois da fundação Miró, onde tirei fotos muito bonitas. Estava bem calmo e relaxante (pare e coma nesses locais, a descida foi bem cansativa, então aproveite lugares legais para descansar).

Fonte Fundação MiroDepois disto fui em direção à tão famosa Fontana Mágica. É muito bonita e todo mundo a idolatra, mas, aqui para nós, tem lugares muuuito melhores. Sim, é uma fonte dançante com músicas pops atuais, que fica infestado de turistas. Cuidado, arranje um lugar para respirar na multidão. Fiquei lá um tempo descansando e “apreciando” turmas de jovens (mais jovens que eu) cantando e dançando com as músicas.

b9xsh

Apesar de não ser o lugar mais bacana, lá tirei a foto mais bonita de toda a viagem:

20140725_201350
Voltei para o hostel e já era hora de tomar banho e sair para comer algo. E por falar em comida, não gaste seu dinheiro com McDonald’s, Starbucks ou KFC em Barcelona. Experimente as tapas espanholas. Uma melhor do que a outra!

Fim de dia. 14 quilômetros. E um quase-arrependimento só de lembrar que cogitei não ir a Barcelona.

*Bruno Bosi, 19 anos, é estudante de Economia e gosta muito de viajar. Passou 2 meses na Inglaterra estudando inglês e aproveitou os fins de semana para viajar pela Europa.

Quer ler mais sobre Barcelona? Veja também este post aqui!

Publicado em Espanha | Marcado com , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

O que vem por aí

Cusco

Pessoal, quero ressuscitar O Mochilão de verdade. Por isso, estou trazendo algumas novidades:

Bruno Boni

Bruno Bosi, nosso primeiro convidado!

O Mochilão vai ter autores convidados!

Nos próximos dias, um leitor do blog vai contar relatos de sua passagem pela Europa e trazer mais detalhes de Barcelona, além do que já contei em outros posts. E você, quer escrever um post e ajudar outros mochileiros com histórias de locais que você curtiu? Deixe aqui um comentário com a sua ideia que a gente pode avaliar a melhor forma. Você só precisa gostar de escrever, saber as normas básicas da gramática e da ortografia e adorar viajar!

 

Mais lugares para conhecer

Ibitipoca

Nesses meses sem postar, não deixei de viajar. Por isso, minha missão é contar muito mais sobre lugares como Cusco, Machu Picchu e Arequipa (Peru), Cabo Polônio (Uruguai), o Parque Estadual de Ibitipoca, em MG, e a subida do Pico da Bandeira, na divisa dos estados de Minas e Espírito Santo. Vamo? \o/

Pico da Neblina

Publicado em Viagem | Marcado com , | 3 Comentários