O Mochilão não morreu!

Ainda que novos posts não tenham aparecido por aqui já há algum tempo, gostaria de informar a todos os visitantes (mais de 200 por dia, mesmo sem atualização) que o blog não morreu! O trabalho tem me tomado bastante tempo, mas continuo a responder a todos os comentários e dúvidas que costumam surgir por aqui.

Por isso, gostaria de ressaltar algumas informações:

1) Quem tiver alguma pergunta, dúvida ou conselho sobre um destino específico pode perguntar pela caixinha de comentários, mas antes é legal que os comentários do post sejam lidos para descobrir se sua dúvida não foi respondida anteriormente. Como vocês já devem ter percebido, nenhum comentário fica sem resposta. Lembre-se que sua dúvida pode ser a de outro mochileiro, portanto é melhor perguntar aqui que pelo Facebook! :)

Ah, uma dica beeem importante: não esqueça de voltar ao blog em alguns dias para ver a resposta!

2) Quem quiser entrar em contato para conversar, me conhecer melhor, etc., pode me seguir no Twitter. Minha arroba é @fellipefaria_!

3) Estou pensando em fazer alguns posts sobre Porto Alegre e Florianópolis, cidades em que tenho vivido por conta do trabalho. Talvez seja até bom até pra mim, porque assim dá pra conhecer beeeem tudo o que esses destinos oferecem.

4) Já estou com algumas viagens internacionais planejadas para este ano, desta vez aqui por perto, na América Latina. Aguardem posts quentinhos sobre alguns dos nossos hermanos!

5) Dois grandes amigos percorreram Bolívia, Chile e Peru num incrível mochilão de um mês e prepararam um vídeo sensacional com registros da viagem. Acho que tem tudo a ver com o blog e por isso gostaria de dividir a experiência do Daniel e do Rafael com todos vocês!

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De volta ao Brasil

Chegou a hora de contar o que vi do mundo para os amigos que acompanharam meu projeto mais ousado. Afinal, O Mochilão foi parte importante das alegrias que a volta ao mundo me proporcionou. Em média, 200 visitantes acessam este espaço todos os dias – e me deixa feliz saber que muita gente esperava por este post, em que vou contar o que aconteceu desde que a última aeronave pousou no Galeão em fevereiro de 2012. Apesar da expectativa (e até das cobranças) de alguns leitores, tenham certeza: era eu o maior interessado em dividir as agonias do retorno e contar o que ficou de mais importante nesta jornada. Ainda que muitos bons livros terminem sem final, eu não poderia deixar o desfecho de uma história tão pessoal por conta da imaginação de vocês.

Em Nova York, aprendi que é facinho conquistar alguns minutos de fama na Times Square. Difícil é permanecer no topo

Na Chinatown de San Francisco ouvi falar pela primeira vez do Falun Dafa, uma prática de cultivo da mente e do corpo punida com morte e tortura pelo governo chinês

O regresso foi planejado e alguns efeitos de tantos dias longe do Brasil já eram previstos. Para quem está há algum tempo longe das terras tupiniquins e está pensando em voltar, sugiro a leitura desta matéria da Folha, bastante reveladora. Mas imaginar é diferente de viver. Por isso, é inegável que a adaptação ao ponto de retorno foi provavelmente a etapa mais difícil desde que comecei a rodar o mundo.

Depois de uma viagem como essa, o autoconhecimento exige que algumas arestas sejam aparadas nas relações com o amigos e a família. O processo inicialmente é difícil, mas paciência, sinceridade e afeto são importantes nessa hora: é possível até que as relações melhorem (comigo deu certo). Outra dica importante: Ninguém merece gente monotemática ou que só fala de si mesmo – por isso, só mostro fotos quando alguém pede para ver e só conto histórias da viagem se alguém pede para ouvir. É até melhor, porque não falta gente para enxergar como arrogância a nostalgia das histórias e dos amigos que ficaram espalhados pelo mundo.

Descobri que Hong Kong não é só economia e confusão: o Tian Than Buddha, maior buda sentado do mundo, é a atração mais fascinante do local

Em Macau, percebi que não basta ser uma ex-colônia portuguesa para que seus habitantes falem português. E também que é possível economizar espaço construindo a rampa no meio da escadaria

Em Singapura, entendi como disciplina, educação e inovação podem erguer um país e por que este foi o local escolhido por Eduardo Saverin para viver

Uma das principais dificuldades é tolerar de novo o “jeitinho brasileiro”. O que era facilmente ignorado antes de conhecer o mundo passa a ser incompreensível. Patrimônio histórico pichado, pessoas jogando lixo na rua e entupindo os rios com toda a sorte de tralha, a corrupção escancarada do trocado para a “cervejinha” do guarda de trânsito aos milhões desviados dos cofres públicos… tudo isso é um baque para quem viu lugares em que filas são respeitadas, as ruas são limpas e respeitar os limites é a regra, não a exceção.

Ao mesmo tempo, também é possível parar de reclamar do que parecia normal ou mesmo ruim: os ônibus intermunicipais no Brasil são confortáveis e quase sempre pontuais, um restaurante bem simplezinho por aqui serve comida muito mais gostosa que a maioria dos pubs ingleses, (quase) todo mundo toma banho todos os dias e nosso trânsito até que é tolerável se comparado a alguns pandemônios mundo afora.

A Tailândia encheu meus olhos, minhas papilas gustativas e minha cabeça de boas lembranças – e me provou que um país não precisa ser caro para dar saudade

No Camboja entendi por que a Angelina Jolie adota tantas crianças mundo afora e que o Turismo pode ajudar a reconstruir um país

Procurar emprego é dureza, principalmente porque idealizamos demais o mercado de trabalho. É de se imaginar que uma experiência que tanto nos enriquece e transforma será extremamente valorizada pelos recrutadores, mas infelizmente é muito mais comum ouvir frases como  “você largou o emprego para passear?” ou “hummm, um semestre longe do mercado”.

Por sorte, algumas companhias sabem que experiências assim valorizam o perfil profissional e revelam atributos como flexibilidade, capacidade de planejamento e habilidades cognitivas. Recebi algumas propostas, algumas delas interessantes, mas o que me encheu os olhos de verdade foi o processo seletivo para trainees do Grupo RBS, um dos maiores conglomerados de comunicação do país.

Eram mais de 12 mil candidatos e apenas 10 vagas. Na semana passada recebi a notícia: eu fui um dos aprovados! Tenho certeza de que o projeto da viagem e a construção deste blog, sempre comentados nas diversas etapas da seleção, foram parte significativa na conquista da vaga. Para quem tiver curiosidade, o vídeo de apresentação abaixo foi utilizado como pré-tarefa em algumas fases do processo e o último minuto mostra algumas das imagens da volta ao mundo:

A Jordânia me mostrou que às vezes é preciso fugir da multidão para entender as pessoas

Israel me fez pensar em como a espiritualidade é importante: Para pregar a solidariedade, consegue aproximar todos nós. Quando ensina a intolerância, pode justificar desatinos

Na Turquia, o hostel vazio me ensinou que sem amigos ou companhia interessante nem toda a beleza do Bósforo consegue te empolgar por muito tempo

Foram 150 dias de liberdade. A cada novo desembarque, levava junto com a mochila apenas a certeza de que as pessoas daquele lugar me ensinariam novas formas de ver e lidar com a vida. Nos cinco meses em que corri (às vezes literalmente) o mundo, consegui realizar muitas metas sonhadas e contadas desde o primeiro post deste blog – olhando para trás, é até engraçado rever algumas das estratégias que eu vislumbrava para rodar o planeta.

América, Ásia, Oriente Médio e Europa foram pinçadas neste roteiro. Conheci lugares embasbacantes, pessoas inspiradoras, sabores impensáveis e vivi momentos memoráveis, tudo ao tempo certo. Vi que o mundo é muito grande, que nem tudo deve ser conhecido e que cada um tem um roteiro próprio –  na vida, no trabalho, nas viagens. O que é bom para mim pode não servir para você, mas as lições que aprendi podem te ensinar um pouquinho. Hoje tenho certeza de que valeu a pena e que as poucas frustrações também serviram de lição e oportunidade para novas experiências.

Também entendi que o brasileiro ainda é um povo muito vaidoso. Muita gente ainda escolhe o destino turístico com base na sugestão da moça da agência de viagens e no folheto que ela entregou, já pensando em como o álbum no Facebook vai bombar. Outros países  valorizam sim os recém-formados que trabalham 20 horas por dia, os self-made men, as celebridades - assim como nós! Mas lá também são respeitados aqueles que largam tudo para entender como gira este mundo, os europeus que trabalham no balcão de um hostel para aprender outras línguas, os que servem drinks num bar em Singapura para conseguir fazer o estágio na companhia financeira durante o dia, os australianos que cobrem a cara de tinta fluorescente para curtir a Full Moon Party como se não houvesse amanhã, as famílias que viajam com as crianças por cidadelas da Ásia para ensinar desde cedo como este mundo é grande e repleto de beleza.

A Espanha me fez ter a certeza de que portunhol não basta para viver direito na terra das touradas – e de que cortar o cabelo em outro país é sempre uma aventura

A Itália provou que é forte concorrente do Brasil na disputa pela melhor comida do mundo, construiu e reforçou laços de amizade e proporcionou um Natal mais feliz do que um mochileiro solitário jamais poderia imaginar

Estas palavras encerram um ciclo importante. Não apenas do blog, mas principalmente na minha vida. Aos 25 anos, quando decidi botar o pé na estrada, imaginava que viveria bons momentos mundo afora, mas não poderia prever tantas manifestações de apoio e carinho – muitas delas vieram de desconhecidos, graças a este blog, uma ferramenta que se mostrou tão singela e eficiente.

Este post me deu a oportunidade de rever tudo que vivi no último ano: as angústias, os planos, a felicidade de ver dando certo. E é por isso que aguardava o momento certo para escrevê-lo. Hoje eu me preparo para novas mudanças: em julho sigo para Porto Alegre, onde a oportunidade profissional que vinha esperando há tanto tempo finalmente vai virar realidade. Aproveito para agradecer a cada um que passou por aqui, aos amigos que mesmo à distância se mantiveram próximos, aos amigos que conheci mundo afora, a todos que fizeram a diferença e deixaram um comentário.

É fato: Jamais voltarei a ver a maioria das pessoas que conheci neste giro pelo planeta. Não por falta de vontade, claro! Mas sei que tempo, distância, dinheiro e a busca pelo novo são fatores que afastam os amigos de viagem, fragmentados pelos tantos territórios deste mundão.

Muitas dessas pessoas nos marcam profundamente e expandem nossos limites, rompendo barreiras que nem percebíamos. Muitos preconceitos caem por terra e alguns poucos, infelizmente, nascem antes que nos demos conta. Outras, cujos defeitos são as características que mais saltam aos olhos, nos ensinam a evitar a maneira errada de se relacionar com o mundo.

As músicas, as fotos e a Internet estão aí para nos aproximar e deixar que as lembranças não se percam.

Confirmei que nem só de dias nublados vive a Inglaterra e que a convivência com brasileiros no exterior não impede o aprendizado, mas multiplica a diversão

A França me mostrou que não importa quanto você tenha visto do mundo. Ele sempre vai dar um jeito de te surpreender e mostrar que é mais bonito do que você jamais poderia imaginar

Para cerrar as cortinas, O Mochilão divide com vocês uma última história. Christopher McCandless, o aventureiro que inspirou o livro e o filme “Na natureza selvagem”, deixou uma mensagem inspiradora antes de partir: Happiness is only real when shared. Por isso, encerro as memórias desta aventura com a imagem abaixo, registrada na parede de uma lojinha de Roma enquanto circulava por aquelas ruelas e pensava em tudo que havia vivido nos últimos meses.

“A felicidade só é real quando compartilhada”. A você, que me acompanhou nesta jornada, obrigado pela oportunidade de dividir e tornar eternos os momentos mais felizes da minha vida!

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Bonjour, Paris!

Antes de admitir que Paris me pegou de jeito, preciso confessar que subestimei a capital francesa. A última cidade a ser descoberta nesta jornada é uma velha conhecida de quase todo mundo que tem acesso aos meios de comunicação, graças às inúmeras referências que foram criadas para que os cidadãos espalhados pelo globo se apaixonassem pela Cidade-Luz antes mesmo de visitá-la.

Boa parte da sedução parisiense vem do protagonismo imposto pelas figuras que fizeram da história francesa uma amostra relevante da trajetória da civilização ocidental nos últimos séculos. Em meio a guerras e revoluções, personagens antológicos como Napoleão e Maria Antonieta se tornaram tão icônicos quanto os personagens de comédias românticas que sublinham o final feliz com um beijo em frente à Torre Eiffel iluminada.

Meu desinteresse inicial por Paris era certamente relacionado a alguns estereótipos – que se provaram equivocados, cabe ressaltar -, como a suposta antipatia dos franceses e a superficialidade que eu imaginava espalhada por toda a parte.

A primeira hipótese caiu por terra antes mesmo que eu desembarcasse na estação rodoviária de Gallieni. Afinal, conheci muitos franceses mundo afora ao longo dos últimos meses – e todos eles eram sociáveis, agradáveis, divertidos (alguns até tomavam banho diariamente, veja só!). Alguns desses amigos inclusive integram aquela seleta lista de pessoas com quem mantenho contato apesar da distância. Além disso, eu já sabia que a maior causa de antipatia dos nativos era uma abordagem em inglês – britânicos e franceses têm uma rivalidade histórica, motivo pelo qual o pessoal daqui faz questão de demonstrar o orgulho pela língua e pelos feitos da nação.

Aos turistas, resta aceitar esse patriotismo (por que não tentar entender esse amor pelo français e colocar em prática um pouquinho do nosso apreço pela inculta e bela língua portuguesa?). Por sorte, os dois semestres cursados de francês anos atrás foram de ajuda essencial nesse momento, seja para perguntar a localização de um destino qualquer (Où est la Tour Eiffel?) ou para causar uma boa impressão num estabelecimento comercial (Bonjour, Madame!). É claro que houve  muitas enroladas com meu francês très bizarre, como quando precisei imitar o ronco de um porco para explicar que a quiche que eu queria na vitrine era a de bacon, provocando gargalhadas nas francesas que estavam do lado de lá do balcão (só depois a moça me explicou que o nome da famosa iguaria era Quiche Lorraine).

Ademais, descobri que o encantamento provocado por Paris é genuíno. O primeiro contato de perto com o colosso que é a Torre Eiffel emociona e surpreende de verdade, tanto quanto a descoberta do Tesouro de Petra ou da Fontana di Trevi. A estrutura de ferro, criada inicialmente como uma estrutura de design sem função além da estética, é muito mais alta do que eu e a maioria das pessoas imaginamos. E a mesma sensação ressurge com a primeira visão da Pirâmide do Louvre, da Basílica de Sacre-Coeur e do imponente Arco do Triunfo ao fundo dos faróis dos carros que cruzam a avenida Champs-Elysées. Paris é realmente arrebatadora.

O Free Tour de Paris faz um panorama rápido das principais atrações da cidade – só que o guia não gostou muito quando viu nossa gorjeta de 3 euros

Famosa cena de fim de tarde na Champs-Elysées: centenas de faróis e o imponente Arco do Trinfo

Na avenida Champs-Elysées, artistas de rua se esforçam para ganhar um trocado num dos metros quadrados mais caros do mundo

Grifes de luxo como a Louis Vuitton espalham suas lojas por toda a avenida

Olha que pechincha esse anelzinho!

No Arco do Triunfo, a chama eterna em homenagem ao Soldado Desconhecido – ela só foi apagada quando um mexicano bêbado urinou sobre o fogo na Copa de 1998 (ele foi deportado, claro)

No frio de Paris, a Torre Eiffel brilha em frente ao céu com as mesmas cores da bandeira francesa

Todos os ângulos favorecem o monumento, provavelmente um dos mais fotogênicos do mundo

Se a antena de rádio não tivesse sido instalada no topo da torre, é provável que ela tivesse sido demolida por falta de função

O casal de noivos aproveita para fazer o ensaio fotográfico do casamento nesse romântico cenário

A enorme Catedral de Notre-Dame recebe centenas de visitantes todos os dias

Lá dentro, mesmo com os pedidos para que o flash seja desligado, muitos turistas sem-noção disparam luzes para todo o lado

A Place de la Concorde é um dos principais pontos de referência de Paris

A arquitetura ousada do Centre Pompidou destaca mais um dos centros de difusão de arte e cultura na capital francesa

Já as Galerias Lafayette são ícones do consumo de luxo: tudo ali dentro é caríssimo

A Basílica de Sacre-Coeur fica no alto de Montmartre, a região que mais me encantou na capital francesa. Erguida no topo de uma colina de onde é possível ver o charmoso horizonte de Paris, a bela igreja atrai centenas de visitantes, que também se impressionam com a beleza e a originalidade do caminho para acessá-la, seja pela escadaria adornada por belos jardins ou pelo Funicular, um trenzinho-elevador que transporta turistas e fiéis até a basílica sem a necessidade de vencer os degraus.

Montmartre também é o epicentro da boemia parisiense – aqui funciona o centenário cabaré Moulin Rouge, ladeado por dezenas de estabelecimentos de fama duvidosa no Distrito da Luz Vermelha da cidade. Mas para saber como é la vie en rose de verdade, o melhor jeito é caminhar sem rumo certo pelas ladeiras do bairro. Sugiro que você assista o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” antes de visitar Paris para ter uma compreensão mais sensível deste canto pouco explorado pelos turistas típicos. E uma dica imperdível é acessar o site Conexão Paris, que criou um ótimo roteiro para quem quer conhecer a região.

Da escadaria da Sacre-Coeur, é possível enxergar boa parte de Paris

O charmoso horizonte parisiense atrai olhares de turistas de todo o mundo

Carrossel, Souvenirs e a basílica: lembranças de Paris

Clique para ampliar a panorâmica

O conjunto arquitetônico da igreja é bonito e diferente

A Basílica de Sacre-Coeur é bonita de todos os lados

Cabaré mais famoso do mundo, o Moulin Rouge cobra caro pelos ingressos para os show noturnos

Na mesma rua, sex shops e outras casas de reputação ilibada expõem seus produtos à luz do dia

Uma visão diferente de Paris, do alto das escadarias de Montmartre

Um olhar sobre a vida francesa mais bucólica, longe do frenesi turístico, está ali pertinho

No inverno, o vinhedo de Montmarte não era uma paisagem das mais encantadoras

“Le Passe-Muraille”, escultura em homenagem ao escritor Marcel Aymé

Era neste café que Amélie Poulain servia as mesas…

…e neste mercadinho ela também marcava presença e fazia amigos

O Museu do Louvre, como tudo em Paris, guarda séculos de história, arte e beleza. Aos poucos, pitadas de modernidade vão acrescentando um ar mais jovial em busca de uma aproximação com o público mais jovem. As próprias Pirâmides de vidro, que hoje são um ícone do museu e da própria cidade, foram inauguradas em 1989 sob uma saraivada de críticas dos mais conservadores.

O ingresso normal custa 10 euros (informação atualizada sempre no site oficial). A tradicional dica para economizar é aproveitar os dias de entrada grátis. Os primeiros domingos de cada mês são gratuitos para todo mundo – chegue cedo, porque o prédio estará obviamente lotadíssimo. Já nas noites de sexta-feira (18h às 22h) quem tem 25 anos ou menos não paga nada para entrar e enfrenta uma concorrência bem menor. É claro que foi numa noite dessas que aproveitei para percorrer os corredores infinitos do Louvre.

Adianto que a coleção é assustadoramente gigantesca. É possível passar um dia inteiro no museu sem conseguir olhar para todas as obras – esteja preparado física e psicologicamente (dizem que um turista japonês desmaiou de cansaço depois de muitas horas andando e observando telas e esculturas). Além da brochura gratuita disponível nos quiosques de informação, que indicam a localização das obras mais importantes, o site Conexão Paris criou um ótimo roteiro para quem tem pouco tempo e quer ir direto ao acervo mais precioso do Louvre.

Pintura mais famosa do mundo, a Mona Lisa de Da Vinci é sem dúvida a obra mais disputada do museu. Alguns visitantes acabam se frustrando e reclamam que a tela é muito pequena – cabe ressaltar que La Gioconda se tornou célebre por uma série de inovações trazidas ao movimento artístico da época, o Renascimento Italiano. Por isso, chegue à sala da Mona Lisa sabendo que este é o quadro mais valioso do planeta porque é uma grande pintura – e não uma pintura grande!

A Pont des Arts, que atravessa o Rio Sena do Institute de France ao Museu do Louvre, é palco para muitas declarações de amor

Nas grades da ponte, casais apaixonados prendem cadeados com seus nomes e lançam as chaves nas águas do Sena em busca de um enlace duradouro

Panorâmica de uma das fachadas do Louvre (são muitas!): clique para ampliar

As pirâmides do Louvre, que provocaram polêmica em seus primeiros anos e hoje são fonte de admiração

Os lagos do museu já estavam congelados

Esta é uma panorâmica da entrada pela pirâmide principal

Lá dentro, um criativo painel indica as regras do museu

Não é só no Brasil que tem bagunça: este banner ficou horas dependurado e nenhum funcionário foi lá tomar uma atitude

A Vênus de Milo é a escultura mais fotografada do museu

A estátua de Hemafrodite é a mais divertida: olhando deste lado, parece uma bela mulher repousando…

…mas é só ir para o outro lado e descobrir a “surpresinha”

Esculturas seculares como esta, da mulher alada sobre a proa de uma embarcação, estão espalhadas por todo o prédio

Mas é na sala da Mona Lisa que todo mundo vai parar

Mesmo morto de cansaço, também fiz questão de tirar uma foto com a Gioconda

Esta panorâmica mostra o tumulto dos visitantes em volta da obra-prima de Da Vinci e a grande quantidade de pinturas na mesma sala deixadas de lado

A poucos metros da sala da Mona Lisa, uma outra obra do próprio Da Vinci é ironicamente ignorada – e olha que essa é famosinha!

Esta pintura retrata uma mulher manipulando o mamilo da irmã (!): dizem que é um gesto que simboliza fertilidade

O contraste da moderna pirâmide com a solene escultura clássica

A pirâmide invertida, no chamado Carrossel do Louvre, também é um barato

Museus podem, sim, ser divertidos! =)

Eu não queria retornar ao Brasil sem ver neve. Depois de cinco meses viajando pelo mundo todo e vendo todo tipo de paisagem, clima e vegetação, me parecia impensável voltar para casa com essa frustração, tipicamente brasileira. Por isso, logo que cheguei a Paris (num frio que chegou a bater -9ºC) comecei a procurar um destino ainda mais gelado para passar um ou dois dias. Mas em cima da hora, até os ônibus escapavam ao meu orçamento. O transporte para os Alpes Franceses até ficava em conta, mas o preço da hospedagem inviabilizava qualquer fio de esperança do singelo sonho de ver floquinhos caindo do céu.

Essa introdução serve para explicar minha excitação na noite em que saí do Louvre.  Naquele momento, Paris parecia ainda mais gelada. Mesmo assim, algo me dizia que eu deveria continuar batendo perna pelas ruas de cidade e que ainda era cedo para tomar o metrô para o hostel. Enquanto caminhava, olhando para os faróis dos carros que ajudavam a iluminar a noite de Paris, percebi que alguns pontinhos começavam a surgir no contraste com as luzes dos postes e dos automóveis. Chuva não era!

E foi assim mesmo, a dois ou três dias de encerrar uma volta ao mundo, que uma incrível ajudinha dos céus me proporcionou o primeiro e emocionante contato com a neve, uma simples manifestação da natureza que consegue mexer tanto com nossas expectativas e emoções. Muita gente chega a chorar quando vê os pontinhos (que parecem penas minúsculas de um passarinho) bailando pelos céus pela primeira vez. E para quem já está acostumado com a neve, deve ser estranho ver a felicidade de um maluco olhando boquiaberto para os céus e tirando fotos dos alvos cristaletes que caem na manga do casaco.

Paris, que ja havia me conquistado, conseguiu renovar nossa paixão quando se vestiu de branco. A cidade fica completamente diferente – e pouca coisa é tão divertida quanto fazer uma bola de neve com o gelo acumulado na superfície dos carros estacionados.

Franceses se divertem no rinque de patinação em meio à arquitetura parisiense

As baixíssimas temperaturas incomodavam um pouquinho, mas a beleza do céu compensava qualquer friozinho

Por toda a cidade, fontes e lagos acabaram congelados

Os pontinhos brancos na manga do casaco fizeram minha felicidade

E no dia seguinte, Paris amanheceu coberta de branco

As crianças aproveitam para se divertir

A obra de arte não é minha, mas eu achei digna do Louvre

Os tetos dos carros são a melhor fonte de neve para fazer uma bolinha…

…E eu tinha que fotografar esse momento!

Je t’aime, Paris!

Nesta cidade tudo é coisa fina: os boleiros batem pelada nos gramados públicos usando golzinhos em miniatura e cones para definir os limites do campo

As vitrines das boulangeries expõem tentações para os gulosos…

…e postes expõem tentações para os tarados meu francês é pessimo, isso é um anúncio de faxineiras! Valeu pela correção, Amanda!

Exemplo de uma cidade civilizada: as cadeiras são deixadas ao ar livre para que todos possam relaxar em frente à fonte. Ah, se fosse no Brasil…

Como sempre, os brasileiros estavam por toda a parte. E no hostel não foi diferente: Gustavo, Dani, Leonardo e Larissa foram os últimos amigos com quem compartilhei momentos inesquecíveis nesta volta ao mundo. Tirar fotos malucas em frente à Torre Eiffel, assistir a final do SuperBowl ou beber champagne de verdade: algumas maneiras formidáveis de dizer Au Revoir.

Champagne francês com Pringles: só em Paris!

Uma hora, tinha que terminar. De volta ao Brasil, é hora de repensar cada lugar, cada pessoa, cada lição. E assim O Mochilão encerra sua primeira aventura, mas com uma boa notícia para os leitores do blog: ele não vai morrer. Tem muita gente mochilando por aí e se encantando por esse nosso mundo – que é grande demais para uma vida só. Não desafivelem os cintos. Vem mais história por aí…

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Um fim de semana no País de Gales


Mesmo com muitas aulas e tarefas programadas para o curso de Marketing em Bournemouth, dei um jeito de aproveitar um fim de semana para mais uma vez botar o pé na estrada. Meu destino era Cardiff, a capital do País de Gales.

O País de Gales (Wales, em inglês) é uma das nações que compõem o Reino Unido. Por falar nisso, você sabe a diferença entre Reino Unido e Grã-Betanha? Como mostra o esquema gráfico ao lado (executado no sofisticado software Paint), o Reino Unido é a soma da ilha da Grã-Betanha com a Irlanda do Norte, que faz divisa na ilha oeste com a soberana República da Irlanda (totalmente independente da Família Real).

Voltando ao tema do post: Localizado na porção oeste da ilha da Grã-Betanha, o País de Gales ainda permanece fora do radar dos turistas brasileiros, mas garanto que uma visita rápida vale a pena. Com cerca de 350 mil habitantes, a cidade é relativamente pequena. O povo é simpático e acolhedor, há belas construções para ver, uma vida noturna movimentada e um impressionante centro comercial num calçadão gigantesco na região central de Cardiff.

A instalação artística foi erguida bem no meio do centro comercial da cidade

No shopping, uma rádio local distribui donuts de graça para atrair o público

Mesmo pequena e desconhecida da maior parte do batalhão de visitantes que lotam toda a Europa em busca das cidades-pólo do turismo mundial, Cardiff é uma cidade que merece ser descoberta. Não é preciso dedicar uma quinzena à capital. Em dois ou três dias é possível ver os destaques da cidade e conhecer um pouquinho mais da vida dos galeses, que são extremamente sociáveis (bem diferente dos vizinhos ingleses, por exemplo) e têm até uma língua própria, o welsh (é verdade, o inglês não é a única língua oficial por aqui!).

O welsh está por toda a parte e não tem nada a ver com o inglês

O Centro de Informação Turística fica no centro comercial e distribui brochuras e guias gratuitos: vale uma passadinha para tirar as dúvidas e programar melhor a visita

O medieval Castelo de Cardiff é a principal atração da cidade e fica bem no meio da zona urbana, criando uma interessante interação com a arquitetura inovadora dos prédios e monumentos modernos. O País de Gales também é o local ideal para conhecer o mundo do rugby, já que o esporte é uma das opções de lazer mais procuradas por essas bandas. O Millenium Stadium, instalado às margens do rio Taff, é muito bonito.

O Castelo de Cardiff foi construído há um milênio e hoje é aberto à visitação turística

O Millenium Stadium é sede para jogos de rugby e apresentações musicais

A arquitetura moderna atrai os olhares por toda a cidade; este é o prédio da escola nacional de música e drama

Assim como na Marina Bay, em Singapura, quantias significativas foram investidas na recuperação da Baía de Cardiff. O plano deu certo e hoje a baía da cidade é um dos locais mais visitados pelos turistas, cheio de atrações, restaurantes e construções inovadoras.  O Millenium Center, centro cultural dedicado a peças musicais e dramáticas, chama a atenção pela enorme fachada, com palavras em inglês e welsh.

A baía de Cardiff é um dos locais mais bonitos da cidade

A gigantesca fachada do Millenium Center estampa a maioria dos materiais de divulgação da cidade

"In these stones horizons sing": a citação é mostrada em inglês e welsh

Um grupo de fãs da série de ficção científica Torchwood também frequenta a baía, mas para protestar contra a mudança da gravação do programa para os EUA (a parede coberta de mensagens é uma das locações utilizadas nas gravações)

Minha passagem por Cardiff durou apenas alguns dias, mas foi bastante intensa. Quase tão intensa quanto Paris, último destino a ser desbravado nesta volta ao mundo. No próximo post, você confere a passagem pela Cidade-Luz e descobre comigo como um lugar tão famoso pode ser tão surpreendente.

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Um mochileiro no sul da Inglaterra

Depois de alguns dias em Londres minha próxima parada seria o sul da Inglaterra, para onde segui com o objetivo de concluir um curso de Marketing. E foi em Bournemouth, uma cidade costeira localizada na região de Dorset, que voltei à época de estudante na companhia de muita gente boa.

Bournemouth, um dos destinos turísticos mais procurados pelos ingleses nos meses de verão, tem cerca de 150 mil habitantes e atrai estudantes do mundo todo, graças às dezenas de cursos de inglês e de treinamento profissional. Como várias pessoas já me pediram informações sobre meu curso de Marketing, aqui vai a dica: Fiz minha matrícula na MLS College, que fica bem no centro da cidade e tem ótimos professores. Para quem acha mais fácil resolver tudo no Brasil, a agência representante da MLS no nosso país é a CI. Há muitas opções de orçamento: O valor vai depender da instituição escolhida, da carga horária, do tipo de hospedagem… o que posso garantir é que a experiência vale a pena! Além do contato aprofundado com uma cultura completamente diferente, essa é uma excelente maneira de aperfeiçoar o inglês e adquirir novos conhecimentos.

Uma curiosidade sobre Bournemouth (e muitas outras cidades inglesas) é a pronúncia do nome do município. Para mim, era lógico que a palavra fosse pronunciada Bóurn (como no filme “Identidade Bourne”) + Máuf (como em “mouth”, ou boca). Pois desista. Os ingleses não vão descobrir que lugar é esse se você disse que está indo para Bóurn-Máuf . Eles engolem tudo e dizem apenas algo como Bônmouf. Duvida? Veja neste site super legal a diferença de pronúncia da palavra entre britânicos e americanos. O mesmo acontece com Leicester (que vira Léster) e Salisbury (que na boca dos britânicos é algo como Séusbri).

Dia de despedida de Bônmouf na última aula com a professora Gemma

"Na janela lateral do quarto de dormir...": esta era minha vista na residência estudantil

Se você está pensando em ir para Bournemouth, considere seriamente agendar sua temporada para o verão. O inverno na cidade é rigoroso e escurece muito cedo. É comum ver lojas fechando suas portas às 17h30 e a praia não é uma opção de lazer (a menos que você seja um surfista muito viciado, porque entrar no mar com temperaturas negativas definitivamente não me parece uma aventura divertida).

Mesmo com as baixíssimas temperaturas de janeiro, alguns surfistas se arriscam nas ondas de Bournemouth

O belo pôr-do-sol no balneário inglês

Boas lembranças: esta igreja é uma das referências da cidade e fica bem em frente à MLS College

O moderno píer de Boscombe é um dos cartões-postais

Bournemouth tem até um balão entre suas atrações turísticas, mas nada muito excitante: ele sobe em linha reta e permanece preso ao solo por uma corda

Comunidade brasileira

Antes de chegar a Bournemouth tinha colocado na minha cabeça que evitaria amizade com brasileiros e privilegiaria o contato com gente de outros países. Parece insensível, mas a razão era prática: minha viagem já estava na reta final e eu queria praticar meu inglês ao máximo!

O problema é que a maioria dos estudantes que chegaram nos primeiros dias de janeiro vinha do Brasil… e a galera era muito legal! Obviamente, minha tentativa de afastamento durou menos de um dia e acabamos formando uma significativa comunidade brasileira em Bournemouth. E assim, pelas ruas, pubs e casas noturnas daquela cidade no sul da Inglaterra, o mês voou e logo chegou mais uma vez a hora de dizer adeus.

Já dá pra sentir saudade: brasileirada reunida em uma das noites frias de Bournemouth

Este é o V Club, uma antiga igreja que foi transformada em casa noturna

Lá dentro, o setlist do DJ sempre inclui hits como "Ai se eu te pego" e "Glam(o)urosa"

Um monte de pedras

O Stonehenge, círculo de pedras famoso pelas histórias misteriosas que envolvem sua criação, fica pertinho de Bournemouth. É muito fácil chegar à planície de Salisbury, onde as grandes colunas foram erguidas há cerca de dois mil anos. O que não animava muito era a reação de praticamente todos os ingleses com quem comentávamos o interesse na visita ao monumento: “But Stonehenge is just a bunch of stones”, costumam dizer os britânicos nada empolgados.

Ao chegar ao local e pagar a salgada taxa de entrada, minha reação foi mais ou menos essa mesmo. Depois de conhecer patrimônios da humanidade do porte de Angkor Wat e Petra, a decepção foi praticamente inevitável. Uma corda circunda as pedras e só é possível ver de perto as colunas (que não são tão grandes quanto se pode imaginar) em um único ponto da passarela em volta do círculo. Nos outros locais, onde a visão do monumento é mais parecida com a silhueta que se tornou famosa, o isolamento é muito distante. Para quem tem interesse na história e no misticismo das pedras, a dica é programar a visita para o solstício do verão e do inverno ou para o equinócio da primavera e do outono, quando a administração autoriza o acesso ao interior do sítio.

Uma curiosidade: No meio das minhas pesquisas malucas, acabei descobrindo que o Brasil também tem uma espécie de Stonehenge. Localizado na localidade de Rego Grande (hehe), no interior do Amapá, nosso círculo de pedras  provavelmente era utilizado pelos indígenas que habitavam o local como ferramenta meteorológica.

A taxa de 17 pounds inclui o transporte, a entrada e o audioguide, um radinho que você vai ouvindo enquanto percorre o sítio arqueológico

A corda de isolamento fica muito longe das pedras e o vento na planície é gelado!

“Been there, done that”… e minha volta ao mundo tá acabando, pessoal! Meu voo de volta está marcado para o dia 8 de fevereiro e espero encontrar um novo mundo de escolhas e oportunidades daqui a alguns dias. Acompanhe os últimos momentos dessa aventura aqui no blog e não esqueça de deixar um comentário!

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Nem só de cinza vive Londres

A capital da Inglaterra tem muitas cores. Quem espera encontrar  uma cidade conservadora, cheia de senhores de cartola e cara fechada, acaba se surpreendendo com a multiplicidade cultural de Londres. Tradicional e divertida, a terra da Rainha Elizabeth fica ainda mais legal quando a garoa dá uma trégua – e eu dei sorte!

Para ter uma visão geral do principal centro econômico do Reino Unido (e visitar alguns dos pontos turísticos mais conhecidos), vale a pena embarcar em um Free Tour. O Sandemans Free Tour é bem bacana e acontece em dois horários, todos os dias. O esquema é aquele: no fim do tour, o guia conta com sua gorjeta.

Em frente ao Palácio de Westminster, o guia Andrew conta histórias de conspiração contra o parlamento

Apesar do sotaque britânico carregado, que pode dificultar a compreensão para quem está acostumado com o inglês dos americanos, o Free Tour é uma boa chance de se ambientar à geografia da cidade e ainda ficar por dentro de histórias curiosas. Você sabia que um irlandês bêbado escalou os muros do Palácio de Buckingham numa noite de 1982 e chegou a sentar na cama da Rainha Elizabeth, assustando a monarca? Pois é, causos desconhecidos do grande público sempre surgem nesses tours e acabam transformando a percepção dos participantes sobre esses locais. Mas nem com muita história a troca da guarda real pode ser considerada divertida. Todos os dias, uma multidão se aglomera em frente às grades do palácio para conferir o revezamento das equipes de segurança ao som de uma banda de marchinha.

O Palácio de Buckingham: a Família Real costuma fazer suas aparições na sacada central

A troca da guarda, um dos espetáculos mais entediantes do mundo

A multidão disputa um espaço no monumento em frente ao palácio para assistir a apresentação dos guardinhas

O suntuoso portão no acesso a um dos parques de Londres - todos são de propriedade da família real

Guarda protege a entrada de uma das residências da monarquia

Os turistas fazem a festa

O Big Ben, ícone da pontualidade britânica, é também um dos pontos mais fotografados de Londres

Dizem que a torre do relógio está se inclinando

Os casamentos reais sempre acontecem na Abadia de Westminster

Para falar a verdade, eu não sabia direito o que esperar de Londres. Minha visão sobre a cidade era a de um local conservador, onde o tradicionalismo da família real seria predominante na atmosfera da metrópole. Acabei descobrindo uma cidade extremamente cosmopolita, com espaço para todas as tribos e vários pontos de encontro pacífico entre culturas e nacionalidades distintas. E com a proximidade das Olimpíadas deste ano, os londrinos andam ainda mais receptivos.

Trafalgar Square, uma das praças mais conhecidas de Londres e locação de muitos filmes que se passam na cidade

Em frente à National Gallery, o relógio faz a contagem regressiva para a abertura das Olimpíadas

No horizonte de Londres, construções medievais como a Tower of London começam a dividir espaço com alguns poucos arranha-céus

Entre tantas pontes que cruzam o Tâmisa, a Tower Bridge é a mais famosa

Quando navios de grande porte precisam passar pelo rio, as duas metades da ponte se erguem

Os detalhes coloridos da estrutura chamam a atenção em meio à paisagem cinzenta

Do outro lado da Tower Bridge, a assimetria é o destaque na sede da Prefeitura

Clique para conferir a panorâmica ampliada do Rio Tâmisa

Londres pode ser vista de muitas maneiras: Caminhando entre as ruas, embarcando num dos icônicos ônibus de dois andares ou mesmo fazendo um passeio de balsa pela águas do Tâmisa. Mas o melhor jeito é mesmo olhar tudo lá do alto, de preferência a bordo de uma das 32 cápsulas da London Eye. O preço do ingresso é salgado (17 pounds), mas quem compra pela Internet consegue 10% de desconto. Se tiver tempo, deixe para embarcar na roda-gigante em um dia de céu claro. Acredite, a experiência vai ser incrível!

Um registro da London Eye acompanhada pelas luzes de fim de ano

Dias de céu de brigadeiro são raros em Londres; não perca a oportunidade

Antes da entrada de novos passageiros nas cápsulas, os funcionários sempre inspecionam o interior para conferir se alguém deixou uma bomba

Um giro completo dura meia hora

Na metade do circuito, já é possível perceber como a roda é mesmo gigante

Cada cápsula tem capacidade para 25 pessoas

No detalhe, o Parlamento e o Big Ben vistos de cima

Esta é uma panorâmica do interior da cápsula; repare que a foto chega a curvar o horizonte

Londres é muito grande e tem a segunda maior linha de metrô do mundo (depois de perder a primeira posição para Xangai). Aqui vai uma dica para economizar na hora de comprar seu bilhete: o Day-Pass, que permite viagens ilimitadas durante o dia todo,    tem o mesmo preço de um bilhete ida-e-volta (Return). É caro de qualquer jeito (7 pounds), mas é uma boa para quem quer usar o sistema muitas vezes em um único dia.

O mapa do metrô de Londres; aqui não é Subway, é Underground!

Com tamanha extensão, é natural que a cidade abrace representantes de toda a sorte de imigrantes e turistas. Amantes de arte e história fazem a festa nos museus – quase todos têm entrada gratuita. Quem gosta de compras costuma escolher a Piccadilly Circus como ponto de partida para as centenas de lojas nos arredores da Oxford Street. Enquanto isso, a galera alternativa se encontra na feira e nos bares de Camden Town. E inspiradas por Julia Roberts, mocinhas românticas buscam um amor para a vida toda nas lojinhas de Notting Hill.

Artistas de rua se apresentam na Piccadilly Circus, o equivalente londrino da Times Square

Candem Town é o ponto de encontro de punks e alternativos; não por acaso, Amy Winehouse morava no bairro

Não perca a Cyberdog, loja mais maluca e criativa de Camden Town. No subsolo, artistas se revezam no pole dance e vendedoras dominatrix oferecem produtos sensuais (é proibido tirar fotos lá dentro)

No mercado de Notting Hill, lojinhas quase vazias da Portobello Road numa tarde gelada de segunda

A pequena livraria que inspirou o filme com Julia Roberts e Hugh Grant fechou as portas no ano passado, mas o letreiro continua ali

Entre tantas opções, uma atração imperdível em Londres é de graça e fica literalmente no meio da rua. A faixa de pedestres mais famosa do mundo, localizada na esquina da Grove End Road com a Abbey Road, atrai dezenas de visitantes todos os dias em busca da oportunidade de reproduzir a capa do penúltimo álbum de John, Paul, George e Ringo.

O que ninguém imagina antes de chegar lá é que a Abbey Road é uma via extremamente movimentada, o que torna a manobra arriscada para fotógrafos e “modelos” . Como a rua é curva, só dá para conseguir uma foto parecida com a imagem eternizada pelos Beatles fazendo o registro do meio da via. Além disso, outras dezenas de fãs do quarteto de Liverpool também estarão por ali disputando o espaço e a chance de uma foto perfeita. Por isso, tome o metrô até a estação de St. John’s Wood e siga para a Abbey Road com paciência.

As árvores não têm folhas, o céu está cinzento e a faixa já não é a mesma. Mas os Beatles já passaram por aqui!

Ali à esquerda, o muro do Abbey Road Studios recebe uma nova demão de tinta a cada trimestre para que novos visitantes escrevam seu recado no espaço. Eles também mantêm uma webcam operando 24 horas, permitindo que fãs de todo o mundo observem o que está acontecendo na faixa de pedestres neste exato momento. Se você clicar no link durante o dia (no horário de Londres, obviamente), é provável que flagre alguém pagando mico para tentar tirar uma foto no local.

O muro pichado do Abbey Road Studios; a câmera está ali perto da árvore

Londres tem tantas opções para os visitantes que você provavelmente vai embora com a sensação de que podia ter visto mais. Nessa cidade curiosa, em que a família real tenta esconder os escândalos que vão parar nas capas dos tablóides e na boca do povo, boa parte do modus vivendi londrino é revelado nos detalhes, escondidos a céu aberto e à mercê de uma observação mais minuciosa.

E você achava que a capa do Meia-Hora era sensacionalista, hein?

Clique para ampliar: No metrô de Londres, propaganda de loja de roupas destaca viagem ao Brasil como um grande objeto de desejo

Na parede de uma estação, o Pensamento do Dia joga a verdade na nossa cara

No Soho, o bar gay chama atenção de turistas brasileiros pela curiosa interação entre nome e estabelecimento

O Playboy Club continua em funcionamento na Old Park Lane, mesmo sob os protestos enfurecidos de feministas inglesas

Depois de mais uma curta temporada como turista, chegou a hora de retomar os livros e encarar um curso de Marketing no Sul da Inglaterra, na aprazível cidade de Bournemouth. No próximo post, você confere os detalhes da vida de estudante no exterior. Até lá!

Já que não dá pra me ligar dizendo o que achou, que tal deixar um comentário? =)

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Ceia italiana e fogos ingleses

2011 chegava ao fim. Os pinheiros, as lojas lotadas de gente em busca do presente ideal e as luzes coloridas espalhadas pelas cidades indicavam a proximidade do Natal e apertavam a saudade de casa e dos amigos. Mas o medo de passar as festas de fim de ano sozinho logo ficou para trás, graças a dois convites que chegaram na hora certa.

Uma amiga de longa data – que hoje vive em Torino com sua família – estava acompanhando o blog e me chamou para passar o Natal na cidade, localizada no Norte da Itália. Não via Ciara há alguns anos.  Mesmo assim, as divertidas lembranças da adolescência na cidadezinha de Tocantins (que fica no interior de Minas Gerais, apesar do nome) me davam a certeza que aquele Natal italiano não me desapontaria.

Depois de sair de Roma e enfrentar 10 horas de uma pitoresca viagem de trem dividindo o vagão mais apertado do mundo com cinco italianos e um yorkshire malocado na bolsa da senhora ao meu lado, finalmente desembarquei na Estação de Torino. Os trilhos são o meio mais fácil e barato para viajar pelo território italiano e as passagens podem ser compradas pelo site da Trenitalia.

Fui muito bem recebido por Ciara e toda sua família. As crianças, Ana Clara e Ian, são divertidas e muito educadas: os dois falam português e italiano fluentemente. O marido, Boneco, é mestre de capoeira e nas horas vagas também dá show na cozinha. Depois de tantos meses sem arroz com feijão, foi no Norte da Itália que matei a saudade do sabor brasileiro. Confirmo: Não há comida melhor que a nossa no mundo todo!

Meus anfitriões me levaram ao Centro de Torino, onde um grande presépio havia sido montado

A decoração natalina era bem criativa, com desenhos em 3D

Um registro de parte da bela cidade de Torino

Para completar essa recepção digna de Chefe de Estado, soube que a ceia aconteceria na casa de uma típica família italiana, amigos de Ciara e Boneco. E quanto a gente pensa em uma família italiana, logo vem à cabeça… festa e comida, claro! O que eu não imaginava é que estava prestes a participar de um banquete. A ceia era servida por etapas, um prato de cada vez. Mas antes mesmo que o primeiro prato fosse devorado, lá vinha a Anna trazendo outra iguaria rara. Sem exagero, a mulher (que não lembra em nada o estereótipo da mama gordinha italiana) deve ter trazido uns dez pratos diferentes, de massas saborosas a camarões do tamanho da minha mão! Quem já foi comigo a um rodízio sabe que não sou de desistir fácil, mas houve um momento naquele jantar em que não entrava mais nada. Acho que nunca vi tanta comida boa junta em um lugar só. Detalhe: voltamos para o almoço do dia 25 e fizemos um belo repeteco daquela comilança.

Brasileiros e italianos reunidos para festejar (e comer)!

Antes do jantar já dava para ter uma ideia da fartura que encontramos por aqui

Ciara, a principal responsável pela salvação do Natal - Valeu demais!

Aproveitei meus dias em Torino para descansar e recarregar as energias. Afinal, 2012 já estava logo ali! Depois de uns bons dias de descanso e uns cinco quilos a mais, chegou a hora de agradecer e dizer adeus mais uma vez.

O próximo desafio era pegar o ônibus para Londres. Isso mesmo, um ônibus da Itália à Inglaterra! Explico: Meu itinerário inicial previa o voo Roma-Londres no dia 2 de janeiro, o que me obrigaria a passar o Reveillon na capital da Itália. Só que no fim das contas fui convidado pelo Eduardo, que conheci na Jordânia, para conferir os fogos de artifício da London Eye e percebi que seria uma maluquice pegar um voo no dia seguinte à virada do ano, ainda mais com a possibilidade de passar o Reveillon na vibe forever alone. Como não consegui antecipar o voo (o argumento da American Airlines era de que não havia mais vagas de realocação disponíveis para o período entre o Natal e o Ano Novo) e a passagem mais barata de uma low-cost que encontrei para essa época custava mais ou menos 300 euros, a única alternativa com um custo razoável era pegar a estrada, em uma viagem de 23 horas. Para fazer igual, é só comprar a passagem pelo site da Eurolines, que oferece inúmeros trajetos de ônibus entre os países da Europa. Como já tô escolado nessas viagens de longa duração, garanto que não me arrependi!

O ônibus viajou durante a noite toda até Paris, onde houve uma escala. Por isso, deu para dormir durante todo o percurso. E para chegar a Londres atravessamos o Norte da França até a cidade de Calais, onde fica o posto de imigração britânico. Se você também está pensando em entrar no Reino Unido por terra, prepare a documentação. Minha entrevista foi longa e detalhada, mas no final deu tudo certo. A curiosidade fica por conta do Eurotunnel, um túnel de mais de 50km que cruza as águas do Canal da Mancha. O ônibus entra dentro de um vagão bem apertado, desliga o motor e fica todo mundo lá dentro, num ambiente bem claustrofóbico, durante mais ou menos uma hora até chegarmos do outro lado. Cada veículo fica em um “compartimento” e eles permanecem separados por portas fechadas a vácuo – para ir ao banheiro, que fica lá no primeiro vagão, você precisa apertar um botão para que o ar saia e permita a abertura das portas entre os compartimentos. É esquisito e interessante.

O ônibus fica paradinho ali dentro do vagão apertado. Até para sair de dentro do veículo falta espaço

“Cheers”

Logo depois de entrar em território inglês, o ônibus fez uma parada para lanche – uma ótima oportunidade para adicionar mais um miquinho a minha já extensa galeria: Pedi um cappuccino numa coffee shop, paguei, peguei meu café e agradeci da maneira mais conhecida, com um “thanks”. Em seguida, a mocinha que me atendeu respondeu: “Cheers”! Como em inglês “cheers” é a palavra que eles usam para levantar as taças e pedir um brinde (tipo “tim-tim”), ergui meu copinho de café e concordei, felizão: “Cheers”! A moça fez uma cara de deboche, que naquele momento não entendi. Depois de alguns dias na Inglaterra, entendi que no país eles raramente usam “thank you”. É que aqui “obrigado” é “cheers” e a mulher do café deve ter lembrado de mim o dia todo como o retardado que fez um brinde com um cappuccino.

Voltando ao ônibus, mais algumas horas de estrada e finalmente desembarcamos à capital da Inglaterra, que também será o assunto do próximo post. Mas antes, vou contar como foi a chegada do Ano Novo na terra da Rainha Elizabeth.

Como Londres é a sede das Olimpíadas de 2012, havia uma grande expectativa em torno do espetáculo dos fogos de artifício na London Eye, a moderna roda gigante que na última década se tornou um dos símbolos da capital inglesa. Por isso, saímos de casa por volta das 20h para tentar pegar um bom lugar em frente ao Rio Tâmisa, onde a visibilidade é melhor. Quando saímos do metrô, fiquei assustado com a quantidade de gente que já ocupava cada metro quadrado da rua no entorno do Palácio de Westminster e do Big Ben. A numerosa força policial controlava a multidão (que se mantinha relativa e surpreendentemente organizada) e acompanhava qualquer movimentação estranha – terrorismo é uma possibilidade séria por esses lados, especialmente em dias de aglomeração tão intensa. Depois de nos embrenharmos por entre os espacinhos que surgiam no meio de tantas pessoas, finalmente encontramos um lugar excelente para ver os fogos e ali ficamos por umas três horas.

Milhares de pessoas se aglomeraram em frente à London Eye para acompanhar a queima de fogos

O Big Ben já estava prestes a anunciar a chegada de 2012

Quando a contagem regressiva começou, milhares de celulares e câmeras se posicionaram

E 2012 finalmente chegou! E hoje já faz quase um mês que o Ano Novo começou... o blog tá atrasadinho, né? =)

Como é difícil fotografar fogos de artifício, adicionei aí embaixo o vídeo oficial da BBC com o espetáculo do Reveillon de Londres para vocês conferirem. Foi muito bonito, especialmente a seleção musical, cheia de artistas britânicos. E achei uma ideia excelente concentrar a queima dos fogos em torno de um ponto fixo, pois assim o efeito estético é multiplicado.

A partir de 9:00 fica bombástico!

Depois de assistir os fogos, entornamos nosso champagne e fomos embora, porque após tantas horas em pé debaixo do chuvisco londrino não há animação que dure. E foi assim, graças à ajuda de antigos e novos amigos, que meu fim de ano foi tão diferente e inesquecível quanto os últimos meses mundo afora!

Vamo com tudo, 2012! Até o próximo post!

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